KRISZTIAN BOCSI/BLOOMBERG
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Agências traçam estratégias para a chegada de anúncios ao streaming

Com a Disney+ e a Netflix criando versões com publicidade, marcas buscam formas de interagir com usuários sem atrapalhar a experiência nas plataformas

Wesley Gonsalves, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2022 | 05h00

O anúncio de que as plataformas Disney+ e Netflix vão adicionar publicidade dentro do serviço de streaming já movimenta o mercado publicitário brasileiro. Se de um lado os usuários temem as interrupções enquanto assistem a séries e filmes, de outro as grandes marcas já se organizam para cavar um espaço nas gigantes de vídeo on demand e entender como surfar essa onda sem perder relevância.

O que era evitado há tempos pelas companhias, agora passa a ser uma realidade. No caso da Netflix, com a perda de assinantes, a empresa deve instituir nos próximos meses o modelo de anúncio. O mesmo deve ocorrer na concorrência. A Disney+ iniciará ainda este ano a comercialização de mídia dentro da plataforma.

Enquanto as companhias não começam a veicular publicidade, agências e marcas tentam descobrir como se posicionar dentro das telas sem agredir a experiência imersiva de uso do streaming.

Para a líder de mídia e dados da AlmapBBDO, Rafaela Alves, apesar de atrativo para os anunciantes, os investimentos precisam ser pensados com cautela. “No mundo digital as empresas estão a um clique de perder a audiência. A grande questão é como não ser invasivo neste momento do público.”

Fontes do setor ouvidas pelo Estadão afirmam que representantes da Disney e da Netflix ainda não deixaram claro como será a comercialização desses espaços. 

Novo formato

Para os especialistas, diferentemente da experiência no YouTube ou na TV tradicional, o modelo de interrupção do conteúdo não deve ser bem aceito pelos usuários de streaming.

Na avaliação do vice-presidente global de agências da Media.Monks, Caio Del Mantho, as gigantes do setor devem ofertar novas possibilidades que aproximem as companhias dos conteúdos, reduzindo o “incômodo” aos usuários. “Seria incrível se as marcas pudessem atrelar seu nome às produções famosas da Disney ou da Netflix”, afirma.

No Brasil, quem já oferece esse tipo de espaço publicitário é a Rede Globo. No Globoplay, os usuários têm a opção de assinar conteúdos da plataforma com ou sem anúncios. Diferentemente dos concorrentes americanos, a companhia optou pelo modelo de negócio que integra todos os canais do grupo, não possibilitando que um anunciante compre espaço de mídia apenas no virtual.

“Esse é nosso diferencial, possibilitar que a marca esteja presente na TV linear e também no streaming”, diz a diretora de negócios em Publicidade da Globo, Manzar Feres.

Na visão da executiva, apesar da preocupação inicial, por aqui a veiculação dos informes publicitários não é um problema na relação com o assinante. “O desempenho de ações está muito atrelado à adequação da mensagem à plataforma”, avalia Manzar.

Concorrência

 Enquanto isso, agências e marcas aguardam as métricas dos streamings estrangeiros. Para a executiva da AlmapBBDO, para ganhar os anunciantes, plataformas terão de apresentar informações claras sobre seu alcance e retorno às companhias. “O investimento do clientes vai depender da qualidade de informações que eles apresentarem”, destaca Rafaela. 

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