Robson Fernandjes/Estadão
Robson Fernandjes/Estadão

Agências de viagens apelam para o câmbio fixo

Na tentativa de atrair turistas em época de dólar alto, operadoras assumem o risco e fazem promoções com valores mais baixos da moeda americana  

Yolanda Fordelone, do Economia & Negócios,

07 de junho de 2013 | 20h50

A instabilidade do dólar, que há alguns dias vive pregões de alta, fez as agências de turismo do País adotarem uma nova estratégia de marketing: congelar a taxa de câmbio das passagens e pacotes de viagem. A ideia é fazer com que o turista não se assuste com o valor mais alto do dólar e que seja atraído por essa promoção. Desde o dia 29 de maio, a moeda norte-americana opera acima do patamar de R$ 2,10. No mercado de turismo, em geral, a cotação fica de R$ 0,10 a R$ 0,15 superior à oficial. 

Na CVC, a redução do dólar, para o valor fixo de R$ 1,99, começou na última quinta-feira. Apesar de o cliente parcelar a compra em reais, na hora da aquisição a cotação do dólar serve como referência. "Não acreditamos que o nosso cliente usual, a família que já planejou a viagem de julho, possa mudar o plano com a alta do dólar, mas o turista que está em uma operadora menor, que não tem musculatura financeira para segurar o dólar nesse patamar, pode se interessar em comprar conosco", diz o vice-presidente de canais de vendas da empresa, Sandro Sant’Anna.

Na Transmar Travel e na Stella Barros, o congelamento é no patamar de R$ 2,05. "É normal, no setor de turismo, serem adotadas essas estratégias quando o dólar tem muita variação. A procura aumenta significativamente, porque dá uma segurança maior ao consumidor", afirma a gerente de marketing da Transmar Travel, Marina de Barros Collaço. Lá, a cotação mais baixa será mantida até este sábado, 8. Na Stella Barros e na CVC, acaba na terça-feira, dia 11.

A Stella Barros começou o congelamento há três semanas. "Tivemos um impacto muito bom sobre as vendas. Oferecemos o câmbio mais baixo para dois pacotes específicos para os Estados Unidos e um deles já se esgotou. Não aparece mais no site da operadora", diz a gerente comercial da companhia, Carla Calil.

Segundo ela, julho é um mês caracterizado por turistas que viajam em família e geralmente se programaram. O que pesa para o cliente desistir da compra quando o dólar está muito alto é que o brasileiro gosta de fazer compras no exterior. "Nesta sexta-feira, o dólar de turismo estava em R$ 2,25. Ou seja, havia uma diferença de R$ 0,20 para a cotação que estamos oferecendo nesses pacotes."

A ação de congelar o dólar não é nova, conforme explicam as empresas. Mas fazia tempo que a estratégia não era adotada. Nesta sexta-feira, o dólar chegou à cotação máxima de R$ 2,1520, valor que tinha sido atingido também no dia 31 de maio, quando foi registrada a máxima dos últimos quatro anos. "Estou há um ano coordenando o marketing da empresa e nesse período ainda não havíamos feito esse congelamento", diz Marina.

Carla diz que a Stella Barros adotou o câmbio mais baixo no ano passado, quando a cotação atingiu R$ 2,10 e a empresa o fixou em R$ 1,90.

Com o dólar fixo, as empresas assumem o risco de a moeda subir, por isso as promoções em geral não duram muito. "Temos uma parceria com uma casa de câmbio para amenizar parte do risco", explica Marina. Se o dólar continuar em alta, porém, o consumidor pode esperar novas promoções para os próximos dias.

Juro zero. Nesta semana, além da estratégia do dólar congelado, outra ação foi tomada para incentivar o consumo, desta vez no varejo. A alta do juro básico (Selic) para 8% ao ano fez com que empresas voltassem a anunciar o "juro zero" nas compras parceladas. Nesta sexta-feira, a Casas Bahia fez um anúncio em que promovia a isenção de juro para produtos como geladeiras, máquinas de lavar e tablets.

Como a tendência do juro ainda é de alta, promoções desse tipo devem continuar sendo feitas no varejo nas próximas semanas.  

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