Agricultura brasileira entrará em 10 novos mercados em 2010

Volume exportado deve aumentar 6% neste ano, estima ministro

Célia Froufe, da Agência Estado,

18 de fevereiro de 2010 | 14h44

O Brasil deve contar com pelo menos 10 novos mercados para exportar seus produtos agrícolas este ano, segundo estimativa do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, apresentada há pouco à imprensa. De acordo com ele, a prioridade da pauta são as carnes bovina, suína e de aves. Stephanes explicou que esse número de países pode ser maior, mas que 10 deles já estão em fase final de negociação. "O Japão é um dos países que apresentam hoje melhores condições (para abertura de mercado)", citou.

O mercado potencial desses novos mercados, de acordo com o ministro é de US$ 10 bilhões. "Se conseguirmos 10%, 20% disso... O importante é entrar nesse mercado e estamos adiantados em termos de negociações", afirmou. Stephanes admitiu que o aumento não é significativo dado que o Brasil já mantém relações comerciais com aproximadamente 180 países. "Mas temos que continuar a aumentar."

Além da abertura de novas praças de negociação, também estão na lista dos mercados considerados como prioritários pelo Ministério da Agricultura Taiwan, Malásia, Indonésia, China, União Europeia, Croácia, México, Arábia Saudita, Hong Kong, Rússia, México, Estados Unidos e Canadá. Stephanes ressaltou que o maior empecilho para a ampliação ou início das negociações é o uso de barreiras sanitárias, que, às vezes, segundo ele, são utilizadas como barreiras comerciais. "Há países que estão deixando claro que querem proteger sua produção", disse. "Considero isso legítimo e acho que, às vezes, o Brasil precisa aprender a proteger um pouco mais seus produtores", argumentou.

Para buscar novos mercados e derrubar barreiras, o ministério prepara mais de 30 missões sanitárias, fitossanitárias e comerciais este ano em 40 países. A programação de missões sanitárias e fitossanitárias para 2010 prevê visita a países como Japão, Coreia do Sul, Filipinas, África do Sul, Colômbia, China, Bruxelas, Argentina, Uruguai e Austrália. No caso das 12 missões de promoção internacional, o foco estará em produtos como soja, milho, arroz, carnes, café, lácteos, frutas e ração para animais, entre outros. Serão visitados China, Japão, Coreia do Sul, Cingapura, Rússia, Estados Unidos, Canadá, Arábia Saudita, Emirados Árabes, África do Sul, Argélia, Marrocos e Egito.

O ministro salientou que alguns mercados já foram abertos no ano passado. Foi o caso de Argentina, Filipinas e Vietnã para a carne suína; de China e África do Sul, para aves; de Chile, Argélia, Tunísia, Nigéria, para carne bovina e da Argélia, para lácteos. "A estratégia é a persistência. Temos de remover todos os problemas sanitários e fitossanitários e esse é um trabalho permanente", disse. 


Exportação

 

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, previu que as exportações brasileiras do agronegócio podem crescer de 5% a 6%, em volume, na comparação com o ano passado. Dados do Ministério apontam que as vendas domésticas recuaram 9,8% em receita em 2009 ante o ano anterior, passando, no período, de US$ 71,8 bilhões para US$ 64,8 bilhões. "O desempenho das exportações no ano passado foi considerado bom tendo em vista que foi um ano de crise", ponderou Stephanes.

 

Em termos quantitativos, segundo o ministro, houve um decréscimo de 0,4% em volume de vendas. "Os demais setores caíram mais de 30%, enquanto a agropecuária praticamente se manteve estável em termos de volume", comparou. Esses movimentos foram os responsáveis para que a participação do setor no total das exportações brasileiras tivesse passado de 36% em 2008 para 42% no ano passado. Segundo ele, a tendência para 2010 é de redução dessa fatia, já que os outros setores da economia tendem a mostrar recuperação.

 

Entre os países mais resistentes a adquirir produtos brasileiros estão Canadá, México e Coreia. No caso do México, Stephanes salientou que três questões atrapalham a comercialização. A primeira diz respeito às dificuldades logísticas do Brasil, que encarecem os produtos nacionais. A segunda está relacionada ao Nafta (bloco comercial que facilita o trânsito de produtos entre Canadá, México e Estados Unidos). E a terceira é o fato de o país querer desenvolver sua produção interna sem concorrência externa. "Os americanos estão do lado do México e têm a questão de logística também. Os Estados Unidos colocam o produto pelo Mississippi a custos bem mais baixos do que nós trazermos nossa soja de Mato Grosso até Santos e levar até lá em cima."

 

Para o ministro, porém, em algum momento o México terá de abrir seu mercado ao Brasil. "Vamos continuar insistindo. Até porque seria importante para o México não ficar preso a apenas um ou dois parceiros", continuou.

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