Agronegócio pede edição de MP para plantio de transgênicos

Brasília, 29 - Onze associações ligadas ao agronegócio divulgaram hoje um documento intitulado "É Tempo de Semear", no qual pedem ao governo federal a edição de uma nova Medida Provisória (MP) autorizando o plantio de soja transgênica na safra 2004/2005, a exemplo do que ocorreu no ano passado. No documento, afirmam que reconhecem o esforço do Executivo e do Legislativo para solucionar o impasse em torno do projeto da Lei de Biossegurança - que aguarda aprovação pelo Senado Federal para depois retornar à Câmara dos Deputados -, mas advertem que não haverá tempo hábil para uma solução do assunto pelo Congresso Nacional. "O calendário agrícola não está subordinado às regras da burocracia", afirmam. As associações signatárias cobram do governo a adoção de medidas que garantam, segundo elas, "o tempo de semear", sem o que "não haverá o tempo de colher". No documento, as representantes do agronegócio observam que, enquanto o mundo cultivará este ano mais de 70 milhões de hectares de plantas transgênicas, o Brasil está paralisado por cerca de sete anos. "Agora, com a decisão judicial favorável, o plantio de soja ainda corre o risco de ser inviabilizado por obstáculos financeiros, uma vez que os agricultores estão impossibilitados de ter acesso ao crédito", afirmam o documento, referindo-se ao fato de que os bancos não emprestam dinheiro para plantio enquanto não houver uma autorização legal à soja geneticamente modificada. Os representantes do agronegócio lembram, também, que as exportações do setor somaram US$ 30,6 bilhões em 2003, montante que representou 42% do total das exportações brasileiras. E, desse total, só o complexo soja respondeu por mais de US$ 8 bilhões, colocando o País na condição de líder mundial nas exportações do produto. Esse desempenho, conforme o documento, é resultado "dos consideráveis avanços conseguidos pelos pesquisadores que, aliados aos agricultores e aos produtores de sementes, adubos e defensivos, desenvolveram a mais competitiva agricultura tropical do planeta". Também segundo o documento, o Brasil, "ao lado de adaptar a cultura da soja aos trópicos, conquistou ganhos de produtividade sem precedentes no mundo que, doravante, estarão dependentes dos avanços da biotecnologia". Assinam o documento a Associação Brasileira de Agribusiness (Abag), Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem), Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), União Brasileira de Avicultura (UBA), Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja), Associação Brasileira dos Obtentores Vegetais (Braspov), Associação Brasileira de Tecnologia de Sementes (Abrates) e Associação Brasileira do Comércio de Sementes e Mudas (ABCSem).

Agencia Estado,

29 de setembro de 2004 | 12h27

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