AIE reduz previsão de demanda por petróleo no 2º trimestre

Para todo o ano de 2013, a AIE elevou sua expectativa para a demanda global em 65 mil bpd, para 90,6 milhões de bpd 

Sergio Caldas e Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

14 de maio de 2013 | 09h09

A Agência Internacional de Energia (AIE) reduziu sua projeção para a demanda global por petróleo no segundo trimestre deste ano em 100 mil barris por dia (bdp), para a mínima em um ano de 89,4 milhões de BDP.

Em seu relatório mensal, a AIE também reduziu em 400 mil bpd a previsão para a demanda pelo petróleo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) no segundo trimestre, para 28,9 milhões de bpd. Para o terceiro trimestre, porém, a AIE prevê uma recuperação na demanda para 30 milhões de bpd, com a mesma estimativa para o quarto trimestre, o que levará a uma média anual de 29,6 milhões de bpd - um resultado 100 mil bpd menor do que os 30,1 milhões de bpd do ano passado.

Para todo o ano de 2013, a AIE elevou sua expectativa para a demanda global em 65 mil bpd, para 90,6 milhões de bpd. A AIE também aumentou em 50 mil bpd sua projeção para a oferta dos países que não pertencem à Opep neste ano, para 54,5 milhões de bpd, refletindo uma recuperação na produção do Sudão do Sul e uma forte produção na América do Norte.

Brasil

A produção brasileira de petróleo deve atingir 3,2 milhões de barris em 2018. O número revela expectativa de crescimento de 48% no volume de petróleo produzido pelo Brasil, já que a produção somou 2,15 milhões de barris/dia no ano passado.

Confirmado o cenário descrito pela entidade, a produção diária brasileira vai crescer cerca de um milhão de barris até 2018. "O Brasil deve ser um dos líderes de fora da Opep no crescimento da produção no médio prazo", diz o documento.

Os campos no pré-sal devem liderar esse aumento da produção. "Com contribuições importantes de campos como Lula, Sapinhoá, Baúna/Piracicaba e Parque das Baleias", diz o documento, "a participação do pré-sal na produção brasileira deve atingir patamar entre 30% e 35% em 2018".

No estudo, a entidade prevê que a produção deve subir para 2,21 milhões de barris em 2013. A subida acontece, segundo a AIE, "após o pequeno declínio sofrido em 2012, quando a produção caiu 2,1% - cerca de 40 mil barris/dia - devido ao prolongado desligamento da produção do Campo de Frade e contratempos na manutenção".

América do Norte

A produção de petróleo na América do Norte vai dominar a expansão da oferta mundial nos próximos cinco anos, graças ao desenvolvimento de tecnologias que hoje permitem explorar reservas antes consideradas inacessíveis.

Essa é uma mudança que poucos previam cinco anos atrás e virá às custas de produtores como os membros da Opep, que há anos dominam a indústria.

Em sua análise mais recente, a AIE diz que a produção dos EUA está crescendo muito mais rápido do que se previa, como resultado de altos preços sustentados e operações mais eficientes.

A AIE, que representa os interesses de grandes países consumidores de energia, no ano passado previu que os EUA poderão se tornar o maior produtor de petróleo do mundo até 2020, ultrapassando a Arábia Saudita, mesmo que possivelmente apenas por um certo período.

De acordo com a agência, a produção média da América do Norte deverá crescer em 3,9 milhões de barris por dia entre 2012 e 2018, respondendo por mais da metade do aumento na produção fora da Opep no período.

A AIE também avaliou hoje que o mercado de petróleo está atravessando um "choque de oferta" positivo com o crescimento recorde da produção na América do Norte e a expectativa de que a capacidade de refino ultrapassará a demanda em países emergentes com forte expansão econômica. As informações são da Dow Jones e Market News International.

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