Ainda é cedo para situar impactos de medidas do BC, diz Santander

Para presidente da instituição, 'o Brasil segue em uma situação privilegiada mundialmente'

Silvia Araujo, da Agência Estado,

27 de julho de 2011 | 14h56

Ainda é cedo para situar o impacto das novas medidas do Banco Central sobre a economia do País, na avaliação do presidente do Banco Santander Brasil, Marcial Portela. Segundo ele, o que se pode dizer neste momento é que o Brasil continua a ter uma base de emprego com tendência de crescimento e o inverso ocorrendo com a situação de desemprego. "Assim, com quadro geral macroeconômico muito bom, o Brasil segue em uma situação privilegiada mundialmente", disse.

De acordo com Portela, parte dessa situação privilegiada se deve ao avanço da classe C, que apesar de ter tido parte do seu ganho real corroído pela alta da inflação nos últimos meses, ainda mantém o consumo ativo.

No entanto, o executivo observa que, se existe uma crise instalada em algumas regiões importantes do mundo, algum impacto tende a ocorrer. "Se tem uma crise mundial, o Brasil está no mundo e algum impacto pode sim existir", disse em coletiva de imprensa na manhã desta quarta-feira para apresentar os resultados do banco no segundo trimestre do ano.

Portela entende ainda que as medidas que o Banco Central vem adotando desde o final do ano passado, que reduziram a liquidez do sistema financeiro, podem no longo prazo se mostrar adequadas, mas têm impacto no curto prazo. Um exemplo de efeito sobre o curto prazo é justamente a desaceleração no financiamento ao consumo e o aumento da inadimplência.

No segundo trimestre do ano, o crédito ao consumo cresceu apenas 0,7% no Santander Brasil na comparação com o trimestre imediatamente anterior, e atingiu R$ 27,137 bilhões. Em 12 meses, a alta foi de 3,9%. Segundo o banco, nesse segmento, os esforços, nos últimos trimestres, concentram-se prioritariamente em rentabilizar o negócio.

O índice de inadimplência (carteira vencida há mais de 90 dias mais créditos normais com alto risco de inadimplência) alcançou 6,7% no segundo trimestre de 2011, alta de 0,1 ponto porcentual em relação ao mesmo período de 2010 e 0,6 p.p. no trimestre, considerando o padrão IFRS. Em BR GAAP, o indicador representou 4,3% do total da carteira de crédito do banco.

Entre as medidas que impactaram o crédito estão a maior exigência de capital para as operações de longo prazo em consignado e veículos para pessoas físicas, aumento de impostos para operações de crédito de pessoa física e elevação do pagamento mínimo para as faturas de cartões de crédito.

O financiamento ao consumo no Santander cresceu apenas 0,7% no segundo trimestre do ano sobre o período imediatamente anterior, considerando o padrão contábil internacional IFRS. Tal número foi influenciado pelas medidas macroprudenciais adotadas pelo Banco Central no final do ano passado e também pela combinação de juros mais elevados e o ritmo mais acelerado da inflação nos últimos meses, conforme o presidente do banco.

O executivo lembra que essa combinação é a mesma que contribuiu para aumentar a inadimplência nos últimos meses. No final de junho, a taxa de inadimplência, considerando os atrasos de 90 dias do Santander era de 6,4%, ante 5,9% de março e 5,8% de dezembro do ano passado. A expectativa é de que as taxas de inadimplência comecem a apresentar estabilização no terceiro trimestre do ano.

Portela disse que as provisões para devedores duvidosos devem seguir essa mesma tendência. Ou seja, devem se estabilizar, caso a estimativa para o índice de calotes também fique nos atuais patamares no trimestre que vem. No segundo trimestre do ano, essa provisão cresceu 11,8%, para R$ 2,301 bilhões.

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