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Alavancagem líquida da Petrobrás supera 50% no 1º tri de 2015

Medida pela relação entre endividamento líquido e patrimônio líquido, alavancagem fechou o 1º tri em 52%, acima da marca de 48% registrada no final do ano passado; alta, já esperada pelo mercado, reflete o impacto da valorização do dólar ante o real

André Magnabosco, Agência Estado

15 Maio 2015 | 18h59

A alavancagem líquida da Petrobrás, medida pela relação entre endividamento líquido e patrimônio líquido, fechou o primeiro trimestre de 2015 em 52%, acima da marca de 48% registrada no final do ano passado. A alta, já esperada pelo mercado, reflete o impacto da valorização do dólar ante o real nas dívidas denominadas na moeda norte-americana.

Desde o terceiro trimestre de 2013 o indicador fica acima do patamar de 35% desejado pela estatal. Naquele trimestre, a alavancagem atingiu 36%. No trimestre seguinte, o indicador voltou a subir e chegou a 39%. O patamar de 40% foi rompido no segundo trimestre de 2014 e voltou a subir fortemente no final do ano passado, reflexo da alta do dólar.


Outro indicador de endividamento, aquele que relaciona a dívida líquida e Ebitda, apresentou tendência inversa e caiu no primeiro trimestre. A relação entre dívida líquida e Ebitda, que deveria estar abaixo de 2,5 vezes, conforme deseja a empresa, terminou o trimestre em 3,86 vezes. Abaixo, portanto, das 4,77 vezes vistas no final de 2014.

A queda nesse indicador é explicada fundamentalmente pela base de cálculo utilizada pela estatal. Para definir o Ebitda incorporado ao resultado, a Petrobrás considera apenas o resultado do ano. Por isso, o Ebitda ajustado de R$ 21,518 bilhões, o maior já registrado na história de empresa, é utilizado como referência para o resultado anual. A grande maioria das empresas brasileiras utiliza a soma do Ebitda acumulado nos últimos 12 meses.

Alavancagem. O indicador de alavancagem líquida ganhou importância em 2010, ano em que a estatal realizou sua megacapitalização de mais R$ 120 bilhões. Na oportunidade, uma das razões para que a Petrobrás anunciasse a operação foi justamente a preocupação de que o indicador superasse 35% e colocasse em risco a condição de grau de investimento concedido pelas agências de classificação de risco.

Concluída a operação, a alavancagem da estatal caiu de 34% no segundo trimestre para 16% no terceiro trimestre de 2010. Desde então, porém, o indicador mantém trajetória ascendente, acompanhando o endividamento total da petrolífera brasileira.

Já o indicador entre dívida líquida e Ebitda é amplamente observado por analistas e investidores porque relaciona a de geração de caixa de uma empresa e sua capacidade de honrar compromissos contratados. O atual patamar de alavancagem da Petrobrás indica que a estatal precisaria de 3,86 vezes do Ebitda anualizado, considerando o resultado do primeiro trimestre de 2015, para levantar os recursos necessários ao pagamento de suas dívidas, caso o volume de geração de caixa, volume de recursos em caixa e endividamento ficassem inalterados durante esse período.

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