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Além de UE e Hong Kong, outros países pediram informações após Operação Trapaça

Ministro da Agricultura, Blairo Maggi, não especificou países, mas classificou atitude como "legítima"

Lu Aiko Otta, O Estado de S.Paulo

07 Março 2018 | 13h56

BRASÍLIA- Além de União Europeia e Hong Kong, outros mercados da carne de aves brasileira pediram informações adicionais ao governo brasileiro, após disse nesta quarta-feira, 07, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, sem, porém, especificar quais foram os outros países. "Acho que todos vão pedir", comentou. "Acho legítimo. Eu, na posição de ministro da Agricultura, faria o mesmo."

Batizada de Trapaça, a operação deflagrada na última segunda-feira, 5, da Polícia Federal, teve como alvo apenas a BRF e resultou em 11 mandados de prisão temporária. Entre elas, a de Pedro Faria, presidente da empresa até o ano passado. A Trapaça aponta que cinco laboratórios credenciados no Ministério da Agricultura e setores de análises da BRF fraudavam resultados de amostras, informando ao Serviço de Inspeção Federal (SIF) dados fictícios.

O objetivo era burlar a fiscalização sanitária e continuar exportando para destinos que têm uma tolerância menor à presença de salmonela na proteína.

O ministro afirmou que o governo está estudando editar uma Medida Provisória ou elaborar um projeto de lei para modernizar o processo de inspeção sanitária na produção agropecuária. A reforma do sistema é parte de um processo deflagrado a partir da Operação Carne Fraca da Polícia Federal (PF), no ano passado. Hoje, o ministério publicou uma portaria distribuindo por dez unidades do Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa) a fiscalização de frigoríficos. Com isso, a definição das inspeções sai da esfera das superintendências estaduais da pasta.

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"É um compromisso que o ministério assumiu em 2017, com a Carne Fraca: extinguir as possibilidades de interferência política nos processos de fiscalização de sanidade", disse o ministro. "A medida veio nessa direção de deixar blindado o processo de fiscalização." A Carne Fraca investigou esquemas de corrupção de frigoríficos a partir das superintendências estaduais, que na maior parte são preenchidas por indicação política.

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"Agora vamos detalhar com mais profundidade as ações que estamos tomando e qual a extensão do problema levantado", disse o ministro. Ele acrescentou que os problemas apontados pela Trapaça, que teve como alvo principal a BRF e cinco laboratórios certificadores, ocorreram antes da Carne Fraca. Os fatos relatados ocorreram em 2014 e 2015. A intenção do ministério é traçar uma linha divisória antes e depois da operação, para apartar as irregularidades no período anterior a ela.

Depois da Carne Fraca, explicou o ministro, sua pasta elevou fortemente as exigências sobre os frigoríficos e as empresas fizeram sua lição de casa. "Infelizmente, a BRF foi a mais acusada. Tenho até dó da empresa, porque ela ficou sob nossa orientação, passamos a fiscalizar com muita frequência e eles de fato fizeram a lição de casa, subiram de patamar. No momento em que começava a ganhar elogios, ela leva uma bordoada. Mas são coisas do passado."

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O CEO mundial da empresa, José Drummond, e o conselheiro e ex-ministro Luiz Fernando Furlan estiveram ontem com Maggi. O ministro comentou que a empresa está muito confiante nas providências tomadas.

Apesar disso, o governo providenciou o embargo das exportações de três frigoríficos investigados para 12 mercados importadores. O ministro disse que as providências tomadas por eles estão sendo checadas. Se estiver tudo correto, o fim dessa medida será estudado.

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