Alemanha limita poder de negociação de Merkel sobre fundo

Parlamento do país aprovou resolução para impedir que a chanceler aceite qualquer acordo que transforme a EFSF em um banco que pode tomar empréstimos do BC europeu

Gustavo Nicoletta, da Agência Estado,

21 de outubro de 2011 | 15h19

Os esforços da Europa para colocar um ponto final na crise das dívidas soberanas podem enfrentar mais um obstáculo depois de o comitê de orçamento do parlamento da Alemanha ter aprovado nesta sexta-feira, 21, uma resolução para impedir a chanceler do país, Angela Merkel, de aceitar qualquer acordo que transforme a Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF) num banco capaz de tomar empréstimos do Banco Central Europeu (BCE).

"Qualquer modelo que transforme a EFSF num banco comercial ou aumente o financiamento do fundo no BCE está descartado. Em particular, a EFSF não deve receber uma licença bancária", afirma a resolução, que deve limitar as possibilidades de acordo entre as autoridades europeias durante as reuniões de cúpula que acontecerão no domingo e na quarta-feira.

Em setembro, o parlamento da Alemanha aprovou medidas que garantem aos parlamentares a última palavra sobre qualquer novo pacote de resgate. Um dos principais motivos para a necessidade de duas reuniões de cúpula na semana que vem é justamente o fato de o Bundestag precisar ser consultado antes de Merkel tomar qualquer decisão.

Isso explica também por que a chanceler e o ministro de Finanças alemão, Wolfgang Schaeuble, passaram boa parte da semana reunindo-se com os parlamentares para explicar as posições do país a respeito da recapitalização do setor bancário, da imposição de perdas aos credores privados da Grécia e qual papel a EFSF deve desempenhar no futuro.

"Temos de entender que a Alemanha é um dos credores mais importantes e é apropriado que o parlamento tenha voz", disse Norbert Barthle, membro do comitê de orçamento do Bundestag e especialista na área dentro do União Democrata-Cristã, o partido de Merkel.

As informações são da Dow Jones.

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