Algodão: Bayer Seeds quer 30% do mercado brasileiro de sementes

São Paulo, 24 - Mesmo sem a liberação dos uso de transgênicos para esta safra de algodão, que daria um grande incentivo aos seus negócios no Brasil, a Bayer Seeds já tem muito o que comemorar. Duas variedades de sementes de algodão introduzidas pela empresa no mercado em 2000, com participação de 0,3% em hectares no País, este ano deverão cobrir 30% da área estimada de um milhão de hectares. Caso alcance a meta, a Bayer Seeds, subsidiária da holding alemã Bayer, terá faturamento bruto de R$ 14 milhões com algodão este ano, ante R$ 8,5 milhões em 2003, afirma o gerente comercial da empresa no Brasil, Alex Merege. Sobre as vendas totais em valor da companhia no Brasil, o algodão saltará da participação de 11%, em 2003, para 15% este ano. Os outros dois tipos de sementes mais vendidos pela Bayer Seeds, soja e milho, participam com 39% e 50%, respectivamente, e detêm share de 4%, cada uma, sobre as áreas plantadas. As vendas dessas sementes crescerão de acordo com o incremento da área cultivada. O algodão evoluirá mais e independente do aumento em hectares cultivados devido à substituição de sementes antigas, de multinacionais concorrentes, pelas de última geração. E também por conta da saída de sementes piratas do mercado. Merege explica que as sementes piratas representam 40% dos cultivos em hectares e, em meio a elas, pode haver as transgênicas. "O próprio agricultor pode salvar sementes e vendê-las ilegalmente", acrescenta o executivo, sobre a procedência de parte das sementes pirata. Segundo ele, ninguém sabe ao certo de onde vêm tais sementes, mas pela lei os agricultores podem salvar sementes para uso próprio. Já a comercialização para outros agricultores é proibida. "Não se sabe quanto, em meio a isso, é de contrabando e quanto é salvo legalmente", considera o gerente comercial. No ano passado, a Bayer Seeds comercializou sementes para cultivo de 110 mil hectares, relativos a 18% da área plantada no País. Para este ano, a previsão é de cobrir 180 mil hectares, um avanço que não leva em conta eventual crescimento da área plantada. Isso, porque a cotação do algodão no mercado internacional tem apresentado queda, gerando incertezas sobre planos de expansão do cultivo. As duas novas variedades aprimoradas por melhoramento genético (seleção e purificação da semente) da Bayer Seeds detinham 5% da área plantada com algodão em 2001, e 12% em 2002. O salto de participação a cada ano, por conta de sementes que oferecem melhor qualidade da fibra têxtil - igual a da Austrália -, pode ser um prenúncio do que ocorrerá com a próxima evolução desse tipo de produto. A Bayer Seeds prepara a entrada das sementes transgênicas de algodão. "A semente Liberty Link começou a ser cultivada este ano nos Estados Unidos. O agricultor brasileiro poderia ficar mais aparelhado se usasse as sementes transgênicas", afirma o gerente de tecnologia da Bayer Seeds, André Abreu. A expectativa sobre a vinda das sementes transgênicas para o Brasil depende do marco regulatório para a área, sem data para ser divulgado pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), mas esperado para breve. Na CTNBio tramitam sete processos para liberação de plantio de sementes transgênicas, dos quais três são da Bayer Seeds, para sementes de arroz, milho e algodão, com tecnologia para manejo de plantas daninhas. Outros dois processos são da Syngenta, e dois da Monsanto. Esses processos não incluem enzimas nem produtos para medicamentos. Nos Estados Unidos, a lista de transgênicos aprovados contempla 50 itens entre sementes, enzimas, princípios ativos para a área médica e ambiental. "Os transgênicos possibilitam o manejo sustentável da lavoura, essa é a maior vantagem para os agricultores", considera André Abreu. A Bayer Seeds possui dois produtos inéditos mundialmente e que serão lançados também no Brasil, assim que a CTNBio liberar o cultivo de algodão transgênico no País. (Viviane Mottin)

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