Algodão: Brasil responde a recurso dos EUA na OMC

Frankfurt, 1 - O Brasil apresenta amanhã (2), na Organização Mundial do Comércio (OMC), um recurso em relação à disputa do algodão. Há cerca de dois meses, o Itamaraty venceu o contencioso contra os subsídios americanos que são dados aos produtores de algodão e a OMC determinou que a ajuda prestada por Washington deveria ser reformada. Há quinze dias, porém, a Casa Branca entrou com um recurso, pedindo que o caso volte aos árbitros e que uma nova avaliação seja feita. Agora, é a vez de o próprio Brasil apresentar sua "contra-apelacão". O objetivo será o de garantir que a nova avaliação da OMC dê razão a todas as queixas do País e evite lacunas que possam permitir que os americanos continuem desrespeitando as regras internacionais. O Brasil se queixava de que os subsídios americanos prejudicavam as exportações nacionais ao deslocar o produto nacional de terceiros mercados. Outra queixa era de que o volume excessivo de subsídios deprimia os preços internacionais do algodão, prejudicando mais uma vez os produtores brasileiros que não contam com os mecanismo de compensação existentes nos Estados Unidos. A OMC, em uma decisão história, deu vitória ao Brasil e concordou com praticamente todos os argumentos do Itamaraty. Segundo os árbitros, a Casa Branca deveria retirar seus subsídios. Restou aos americanos pedir uma nova avaliação do caso, alegando que os resultados da análise dos árbitros foi "errônea". Um dos argumentos dos Estados Unidos era de que os subsídios dados a seus produtores tinham pouco efeito nos preços internacionais do algodão. O recurso americano, como ocorre normalmente na OMC, arrastará o caso por mais três meses. Na avaliação do Itamaraty, portanto, essa nova avaliação não poderia incluir apenas as queixas americanas. O Brasil pedirá amanhã (2) que os árbitros avaliem temas como os programas de crédito dos Estados Unidos que, se condenados, poderiam dificultar ainda mais possíveis manobras por parte dos americanos para descumprir as regras da OMC.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.