Algodão: CTNBio libera lotes de sementes com até 1% de transgenia

Brasília, 18 - A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou hoje, a pedido da Associação Brasileira da Indústria de Sementes (Abrasem), a comercialização de sementes de algodão que tenham até 1% de transgenia. De acordo com o coordenador geral da CTNBio, Jairon Nascimento, poderá ser comercializada e plantada a semente que tenha traços de transgenia de variedades conhecidas no mundo, como a BT, Roundup Ready e Bolgaten. Em entrevista à Agência Estado, o representante da CTNBio disse que há uma restrição para o plantio da semente com traços de transgênico. Estas sementes não poderão ser plantadas em áreas classificadas pela Embrapa Algodão como de registro de algodão selvagem. Segundo Nascimento, a decisão tomada pela CTNBio, que se reuniu ontem e hoje em Brasília, não foi unânime. A decisão será publicada oficialmente na próxima semana no Diário Oficial da União. Só então a associação que entrou com o pedido será comunicada da autorização. A CTNBio tem 18 conselheiros titulares e o mesmo número de suplementes. O diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Hélio Tollini, comemorou a decisão da CTNBio. "A decisão tira um peso das costas do produtor. Pode haver contaminação nos campos de produção de sementes e era praticamente impossível encontrar lotes sem nenhum traço de transgenia", afirmou. Ele disse que a "contaminação" entre sementes convencionais e transgênicas pode acontecer facilmente. Tollini lembrou que "os países vizinhos do Brasil já autorizaram o cultivo de algodão transgênico". A Colômbia, por exemplo, autorizou o plantio de algodão geneticamente modificado há um ano. Cultivares transgênicas plantadas na Austrália, completou, podem ser adaptadas ao Brasil, pois a latitude é a mesma. "Como isso (contaminação) aconteceu, eu não sei, mas que houve, houve", completou. O pedido de autorização foi encaminhado à CTNBio há cerca de dois meses. A proposta foi encaminhada pelo setor de sementes. "Sem essa decisão, poderia faltar sementes para plantio da safra 2004/05", comentou Tollini. Análises feitas por representantes das indústrias de sementes e dos produtores de algodão mostram que os "traços de transgenia" nos lotes é muito inferior ao limite de 1%. "Alguns estudos apontam 0,03% de transgenia nos carregamentos. A decisão da CTNBio atende aos interesses do setor", comentou.

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