Alguns indicadores dos EUA pioram após fim oficial da recessão

Nível do emprego está menor hoje do que estava em junho de 2009

Clarissa Mangueira, da Agência Estado,

21 de setembro de 2010 | 16h19

O Birô Nacional de Pesquisa Econômica (NBER, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, o árbitro dos ciclos econômicos no país, afirmou que a recessão do país acabou, mas os players do mercado querem uma revisão dessa avaliação.

De acordo com o órgão, a recessão iniciada em dezembro de 2007 terminou em junho de 2009. Isso significa que as condições para os negócios atingiu seu ponto mais baixo há cerca de 15 meses e têm melhorado desde então.

Mas o mundo real poderá discordar dessa afirmação. Se o que nós temos vivido desde junho de 2009 é uma recuperação, o pensamento de como a próxima recessão será provoca muitos calafrios.

Homens e mulheres nas ruas veem a economia através do prisma dos empregos e o que eles observam os deprime.

O nível do emprego está menor hoje do que estava em junho de 2009. Uma pesquisa do Departamento do Trabalho dos EUA com as famílias norte-americanas mostrou um número menor de pessoas trabalhando durante esse período, uma medida confirmada pelo payroll (relatório sobre o nível dos empregos no país), que também apontou uma retração no número de vagas.

Já o número de pessoas fora do trabalho é maior, assim como a taxa de desemprego, enquanto a duração do desemprego está no seu mais alto patamar no pós-guerra.

Quanto ao panorama geral, após uma recuperação no final do ano passado, o crescimento no Produto Interno Bruto (PIB) abrandou. Até o segundo trimestre deste ano, o PIB cresceu a uma taxa anual de 1,6%, o mesmo ritmo no qual se expandiu no segundo trimestre de 2009.

No setor-chave da habitação, as vendas de imóveis novos e existentes ainda estão caindo, se aproximando das mínimas do pós-guerra. Combinado com o aumento das execuções hipotecárias, o excesso de oferta continua a pressionar os preços.

É desnecessário dizer que a construção de novas residências está moribunda, enquanto o alto número de imóveis vagos continua a desestimular a construção de prédios de escritórios, fábricas e shopping centers.

A política monetária parece ter perdido a munição. As taxas de juros baixas não conseguiram desencadear um aumento do endividamento, lembrando o velho ditado "você não pode empurrar uma corda".

O que é realmente necessário no momento é um estímulo da política fiscal. No entanto, o que a economia norte-americana está conseguindo é se arrastar.

O proclamado "fim da recessão" encorajará, indubitavelmente, aqueles cuja principal preocupação é a redução do déficit, em oposição à criação de emprego, para pressionar por cortes nos gastos federais.

Tendo em vista o estado precário da atividade econômica, isso praticamente garante um recuo para uma nova recessão, como ocorreu em meados da década de 1930.

As informações são da Dow Jones.

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