Alho enfrenta concorrência

Produto brasileiro, em plena safra, tem ótima qualidade, garantem agricultores. Problema é alho vindo da China

Fernanda Yoneya - O Estado de S.Paulo ,

15 Agosto 2008 | 17h37

Em plena safra de alho, produtores festejam, por um lado, a alta produtividade e a boa qualidade da colheita. Por outro, lamentam os baixos preços por causa da concorrência com o alho chinês. "Se o governo não limitar a importação, o produtor quebra", dizem os sócios Ismael Boiani e Daygo Kitano, que cultivam 130 hectares em Santa Juliana (MG).  Veja também:Unesp desenvolve sementes isentas de vírusAssociação luta por taxa antidumpingMesmo colhendo bem (15 toneladas/hectare) e com um produto de alta qualidade - o alho está com classificação de 5 a 7 (a partir do tipo 4, vai para o mercado in natura, mais valorizado) -, eles queixam-se dos preços. "Estamos recebendo R$ 2,50 por quilo, quando deveria estar de R$ 3,50 a R$ 4", diz Boiani. Toda a área é irrigada por pivô, tecnologia indispensável para a cultura. Mesmo com a forte concorrência chinesa, porém, os produtores arranjam saídas para lucrar. Uma delas foi verticalizar a produção. "Industrializo o alho na propriedade. Alho abaixo de 4 vira tempero ou pasta de alho", diz Boiani.CooperativasVerticalizar a produção, porém, é opção para grandes produtores, afirma o produtor Nelson Hitoshi Kamitsuji, de Santa Juliana. "O pequeno deve se unir em cooperativas, por exemplo." Kamitsuji, que cultiva 10 hectares e colhe 14 toneladas/hectare, está desanimado. "Estou classificando as cabeças, mas o mercado está com preços menores do que 2007, quando o quilo do alho tipo 6 valia R$ 4,20. Este ano, está entre R$ 2 e R$ 2,20/quilo." Em relação ao alho chinês, o produtor sugere organizar o calendário da entrada do produto importado para não coincidir com a safra brasileira.O produtor Mário Kazuo Kido, de Santa Juliana, aposta no sabor mais picante do alho brasileiro para concorrer com o alho chinês. "O alho roxo, produzido aqui, é mais picante, e o consumidor gosta." Kido planta 80 hectares e deve colher 14 toneladas/hectare. Mesmo produzindo bem, o preço está ruim, entre R$ 2,40 e R$ 2,50/quilo. "O problema é que, em agosto, chega alho novo da China. Até agora, o alho importado era velho, da safra passada."Abertura às importaçõesA produção nacional já abasteceu 90% do consumo interno no fim dos anos 80. Com abertura do mercado para o Mercosul, para o alho argentino, em 1989, e a importação da China em 1993, o alho nacional perdeu espaço. Segundo o Instituto de Economia Agrícola (IEA-Apta), São Paulo produzia em 1983 4,7 milhões de toneladas de alho/ano. Em 2007, a produção foi de 860 toneladas."Em 2007 o País tinha só 30% do mercado interno", diz o presidente da Associação Nacional dos Produtores de Alho (Anapa), Rafael Jorge Corsino, garantindo que, se o governo proteger o mercado interno taxando o alho importado, em cinco anos os cerca de 4 mil produtores do País recuperam até 90% do consumo nacional. 4,7milhões de toneladas de alho foi a produção anual do Estado de São Paulo em 1983, segundo Instituto de Economia Agrícola (IEA-Apta)860toneladas de alho foi a produção de SP em 2007. A redução ocorreu por causa do clima e daimportação do produto

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