Alibaba precifica ações em US$ 68 e IPO arrecada US$ 21,8 bi

Alibaba precifica ações em US$ 68 e IPO arrecada US$ 21,8 bi

Abertura de capital da empresa chinesa de e-commerce é uma das maiores da história; papéis começam a ser vendidos nesta sexta

Reuters

18 de setembro de 2014 | 15h03

Atualizado às 21h30

O gigante chinês de comércio eletrônico Alibaba Group protagonizou nesta quinta-feira uma das maiores ofertas de ações do mundo - e a maior dos EUA. A empresa precificou seus papéis em US$ 68, no topo da faixa estipulada por ela há alguns dias. Com isso, a companhia chinesa deverá arrecadar US$ 21,8 bilhões. 

A oferta pública inicial do Alibaba no mercado americano situa o valor da companhia em US$ 168 bilhões, uma das maiores empresas listadas nos Estados Unidos. Seu valor de mercado já é superior ao da rival americana Amazon.com, estimada em US$ 150 bilhões, e maior do que a soma das ações de Twitter, LinkedIn e eBay juntos. As ações do Alibaba serão negociadas a partir desta sexta-feira, na Bolsa de Nova York, com o símbolo “BABA”.

Os investidores, interessados no rápido crescimento da China e na evolução do setor de internet no país, clamavam por ações da companhia desde que executivos do alto escalão do Alibaba, incluindo o cofundador e presidente do conselho Jack Ma, iniciaram as apresentações na semana passada.


Tendo como cenário o luxuoso hotel Waldorf-Astoria, em Nova York, uma apresentação para potenciais investidores realizada na semana passada atraiu 800 interessados. Segundo o The New York Times, os seis principais subscritores da oferta anunciaram o encerramento dos pedidos um pouco antes do previsto, devido ao grande volume recebido.

“Acreditamos que a faixa atual de preço de US$ 66 a US$ 68 subestima significativamente o potencial de crescimento de longo prazo da empresa”, disse o analista Neil Doshi, da CRT Capital, antes da precificação, em nota da equipe de análise em que iniciou a cobertura das ações com uma recomendação de “compra”.

Nos 15 anos desde que Ma fundou a empresa em seu apartamento de um quarto, em Hangzhou, leste da China, o Alibaba tornou-se responsável por quatro quintos de todo o comércio online realizado na segunda maior economia do mundo. A empresa também se ramificou em áreas como pagamentos eletrônicos e investimento financeiro.

Em 2013, seus sites Taobao e Tmall intermediaram transações no valor de US$ 248 bilhões, mais do que as americanas Amazon.com e eBay combinadas. No segundo trimestre deste ano, a companhia registrou uma receita 46% maior do que no mesmo período do ano passado, e uma margem operacional de 43%. 

A complexa estrutura de governança do Alibaba e os investimentos externos de Ma levantaram questões sobre potenciais conflitos de interesse e a capacidade dos investidores de influenciar no Alibaba.

A empresa decidiu listar suas ações em Nova York depois de representantes da bolsa de Hong Kong terem rejeitado seu pedido para permitir que um pequeno grupo de membros da companhia nomeasse a maioria do conselho. 

A Hong Kong Exchanges e Clearing, que opera a bolsa, tem uma política contra empresas com múltiplas classes de ações com diferentes direitos de voto, mas está considerando o afrouxamento dessas regras depois de perda do negócio com o Alibaba.

Expansão. O Alibaba planeja expandir suas operações nos Estados Unidos e na Europa. Nos Estados Unidos, pelo menos, a companhia é uma desconhecida: um levantamento do instituto de pesquisas Ipsos constatou que 88% dos americanos nunca tinham ouvido falar da empresa.

Com a oferta, Ma entra para o clube dos bilionários. O ex-professor de inglês conseguirá levantar US$ 867 milhões com a venda de suas ações, elevando seu patrimônio para um total estimado em US$ 13,2 bilhões. 

O Yahoo!, que tem uma participação de 24% na empresa também deve se beneficiar do IPO, levantando cerca de US$ 8,3 bilhões. O relacionamento entre as duas empresas, iniciado em 2005, nem sempre foi fácil. O Yahoo! é a segunda maior sócia da Alibaba, ficando atrás do banco japonês Softbank, com 37%. 

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