Divulgação AliExpress
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AliExpress aumenta voos para o Brasil para atrair 'órfãos' do frete grátis

Em meio a limitação do benefício pelos concorrentes, gigante chinês vai custear entrega para compras no País

Wesley Gonsalves, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2022 | 10h01

O gigante chinês AliExpress vai expandir o número de voos semanais fretados da China para o Brasil. A partir de 1º de junho, a companhia passa de seis para oito viagens para atender a sua demanda no mercado brasileiro. Para anunciar a expansão, enquanto os concorrentes de e-commerce cross border (aquele que comercializa itens importados) limitam o acesso a frete grátis, a empresa decidiu bancar a entrega dos produtos sem limite mínimo de compras.  

Essa é a segunda expansão anunciada pelo marketplace em menos de um ano. Em novembro de 2021, às vésperas da Black Friday, a companhia aumentou de cinco para seis trajetos semanais no País. "É uma estratégia de adequar nosso negócio, tentando reduzir o tempo de entrega", conta o responsável pela operação do AliExpress no Brasil, Briza Rocha Bueno. 

Para o especialista em varejo Ulysses Reis, da Strong Business School, na disputa por mercado entre as empresas de e-commerce de cross board a companhia do grupo Alibaba faz um esforço para garantir as entregas dentro do prazo, em datas importantes no varejo como a Black Friday, Dia das Crianças e o Natal. 

“O fato de eles colocarem esses aviões é sinal de que eles querem investir no País, mesmo este tipo de frente sendo mais caro que via navios”, afirma. Reis ressalta ainda que, apesar de “pesar mais no bolso", a opção traz segurança nas entregas da companhia em meio a uma crise logística vivida na China, que atualmente lida com a falta de contêineres de exportação marítima.

Além das datas tradicionais do varejo local, a companhia do grupo Alibaba também está de olho em como aprimorar seu processo logístico para o Dia dos Solteiros, conhecido como a Black Friday chinesa. Recentemente, o marketplace anunciou sua estratégia de investir na data comemorativa e a importando para o mercado brasileiro. 

Para subsidiar o custo das entregas grátis, segundo a executiva de AliExpress, o marketplace tem se aproveitado do esquema logístico, agrupando as compras e reduzindo o número total de pacotes enviados. Na opinião do especialista de varejo, assim como as concorrentes, a estratégia de arcar com as entregas não deve durar por muito tempo no País devido ao seu alto custo operacional. “Não é sustentável no longo prazo, provavelmente é até deficitário. Mas eles estão querendo ganhar mercado e estão fazendo o investimento”, pontua Reis.

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