Alimentos impedem certeza de deflação no IPC-S do mês, diz FGV

Tomate, que teve alta de 14,20%, e batata-inglesa, que recuou 22,95%, na terceira quadrissemana de junho, causam dúvidas quanto a uma possível deflação no final de junho

Flavio Leonel, da Agência Estado,

27 de junho de 2011 | 15h03

A tradicional volatilidade dos preços dos alimentos in natura impede que o coordenador do Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), Paulo Picchetti, tenha certeza de que o indicador de inflação da Fundação Getúlio Vargas (FGV) feche o mês de junho em deflação. Em entrevista à Agência Estado, ele disse nesta segunda-feira, 27, que continua aguardando uma taxa próxima a zero, mas ressaltou que não haveria surpresa se o resultado do IPC-S ficasse no terreno negativo. "Quando eu digo em torno de zero, pode ser 0,05% positivo ou 0,05% negativo", enfatizou.

A afirmação foi feita no mesmo dia que a FGV divulgou que o índice da terceira quadrissemana de junho registrou deflação de 0,15%. O resultado representou importante desaceleração ante o IPC-S da segunda quadrissemana, que havia registrado variação positiva de 0,02%.

Segundo Picchetti, as dúvidas quanto à certeza de uma deflação no final do mês são justificadas, por exemplo, com o comportamento de dois itens in natura na terceira quadrissemana de junho. Na liderança do ranking de contribuições de alta ficou o tomate, com uma alta de 14,20%. Na liderança do ranking de contribuições de baixa ficou a batata-inglesa, com um recuo de 22,95% no período pesquisado.

Na terceira quadrissemana, dois segmentos importantes da parte in natura tiveram grande participação na desaceleração geral do IPC-S ante a segunda leitura do mês. O segmento Hortaliças e Legumes caiu 3,30% contra baixa anterior de 1,94% e o segmento Frutas recuou 6,42% ante declínio de 5,07%. Juntos, responderam por 0,08 ponto porcentual da desaceleração de 0,17 ponto porcentual observada pelo índice geral da FGV.

O coordenador lembrou que os preços dos alimentos in natura, tradicionalmente, tem um comportamento instável, podendo subir ou cair rapidamente num curto espaço de tempo. "É claro que o saldo líquido atual está no negativo, mas como as variações são muito grandes e muito poucos explicáveis, não pode ser descartada algum tipo de mudança capaz de aproximar o índice da taxa zero", salientou.

Apesar das dúvidas relacionadas a este segmento, Picchetti considerou que o IPC-S mostra, pelo menos no curto prazo, um cenário mais tranquilo de inflação do que se imaginava anteriormente. "Eu tinha dito que o índice não repetiria o cenário de três meses consecutivos de deflação que tivemos no ano passado em junho, julho e agosto, mas agora poderemos ter isso pelo menos em um dos meses em 2011", destacou.

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