Clayton de Souza|Estadão
Clayton de Souza|Estadão

Alta cúpula dos sócios da Usiminas se reúne para discutir rumo da siderúrgica

Paolo Rocca, presidente do grupo ítalo-argentino Techint, e Kosei Shindo, do comando da japonesa Nippon, sentaram-se à mesa pela primeira vez desde a piora da situação da companhia; compra de participação da Techint pelos japoneses chegou a ser cogitada

Mônica Scaramuzzo, Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

24 Fevereiro 2016 | 05h00

O alto escalão dos sócios da Usiminas – os acionistas controladores Nippon Steel e Techint – se reuniu no início desta semana para discutir o futuro da siderúrgica mineira, que está altamente endividada e corre sério risco de pedir recuperação judicial, apurou o Estado com duas fontes familiarizadas com o assunto. Os presidentes Paolo Rocca, do grupo ítalo-argentino Techint, e da japonesa Nippon, Kosei Shindo, sentaram, pela primeira vez este ano, para discutir o futuro da companhia.

Executivos da Usiminas têm feito, nas últimas semanas, uma peregrinação pelos bancos para tentar realongar as dívidas. Entre 2016 e 2017, o endividamento é de quase R$ 4 bilhões. O executivo Rômel Souza, presidente da siderúrgica, está esta semana no Japão. Segundo fontes, ele estaria em conversas com o JBIC (Japan Bank for International Cooperation), um dos maiores credores da Usiminas. Além do JBIC, foram contatados o BNDES, Bradesco, Itaú, Santander e Banco do Brasil. O discurso dos bancos tem sido o mesmo: o alongamento das dívidas depende de uma capitalização.

Balanço. Na semana passada, a Usiminas divulgou balanço. Em 2015, a empresa encerrou com receita de R$ 10,2 bilhões, queda de 13,25% sobre 2014. No período, o prejuízo líquido ficou em R$ 3,6 bilhões e a dívida acumulada líquida de R$ 7,9 bilhões. A empresa tem em caixa cerca de R$ 2 bilhões, uma parte dela represada na Musa (mineradora da Usiminas) e está correndo para vender seus ativos, entre eles, a Usiminas Mecânica, de bens de capital.

“Só vejo duas saídas para a Usiminas: ou uma capitalização ou um dos sócios comprando a participação do outro”, disse uma outra fonte, que também é próxima à operação, mas não quis se identificar.

Não é a primeira vez que os acionistas discutem a compra de participação um do outro. A Nippon, segundo fontes ligadas ao grupo japonês, já teria manifestado interesse na compra da parte da Techint. Mas não houve consenso sobre preço. “A Nippon descarta a venda de sua fatia na companhia”, disse uma fonte próxima ao grupo.

Quando entrou na siderúrgica no fim de 2011, a Techint fez pesados desembolsos, de cerca de R$ 5 bilhões para comprar as fatias da Votorantim e Camargo Corrêa na companhia. Em 2014, colocou quase R$ 1 bilhão para adquirir a fatia da Previ (fundo de pensão do Banco do Brasil). A companhia quer rediscutir o acordo de acionistas da siderúrgica, com validade até 2031. Toda a decisão tem de ser consensual, mas os dois sócios romperam relações em setembro de 2014. Os diretores indicados pela Techint foram destituídos do comando da empresa.

Nesta terça-feira, 23, a Ternium, subsidiária do grupo Techint, divulgou balanço global referente ao quarto trimestre. Em 2015, apresentou uma baixa contábil de US$ 191,9 milhões na Usiminas. Em 2014, já tinha feito baixa contábil de US$ 739,8 milhões. A Ternium encerrou o quarto trimestre com receita de US$ 1,8 bilhão, queda de 16% sobre o mesmo período de 2014. O Ebitda (juro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) no quarto trimestre caiu 1%, para US$ 297,1 milhões. A Ternium tem reduzido custos como forma de compensar a forte queda da receita.

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