Alta de 6,05% em Educação no IPCA-15 de fevereiro é a maior em 10 anos

Além da demanda aquecida, indexação de preços pode explicar grande parte do resultado

Maria Regina Silva, da Agência Estado,

21 de fevereiro de 2014 | 14h46

SÃO PAULO - A inflação do grupo Educação, no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) de fevereiro, é a mais intensa dos últimos dez anos, conforme informou a Kondor Invest à Agência Estado. Em fevereiro deste ano, o grupo registrou alta de 6,05%, ante elevação de 6,89% apurada no mesmo mês de 2004, segundo a gestora de recursos.

O IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, acelerou a 0,70% em fevereiro, após variação de 0,67% em janeiro, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Além da demanda aquecida, a economista Nicole Saba relembra da indexação de preços para justificar grande parte da intensificação na taxa do grupo Educação em fevereiro.

"Ainda é muito inercial. Normalmente os reajustes são muito baseados em inflação passada. Como a inflação está muito pressionada, as pessoas acabam por esperar que os preços continuem subindo", explicou, acrescentando que o crescimento da procura consequentemente faz com que as projeções para a demanda à frente também subam.

Depois do aumento de 6,89% do grupo Educação no IPCA-15 de fevereiro de 2004, levantamento feito pela economista da Kondor mostra a evolução desses preços no indicador do IBGE em meses de fevereiro. Em 2005, a taxa de Educação foi de 5,36%; indo a 4,59% em 2006; 3,48% em 2007; 3,61% em 2008; 4,95% em 2009; 4,55% em 2010; 5,88% em 2011; 5,66% em 2012; 5,49% em 2013; e 6,05% em 2014.

De acordo com o IBGE, a elevação de 6,05% em Educação no segundo mês de 2014 exerceu uma pressão positiva de 0,27 ponto porcentual no IPCA-15 de fevereiro. O aumento refletiu os reajustes praticados no início do ano letivo, especialmente os aumentos nas mensalidades dos cursos regulares, que avançaram 7,65% e foram o item de maior impacto individual no mês, com 0,22 ponto porcentual, segundo o IBGE. "Foi uma contribuição bem alta, dado que o grupo Educação tem peso de 4,50% no IPCA-15", disse Nicole.

Por questões metodológicas, o IBGE capta os reajustes em Educação somente a partir de fevereiro, enquanto outros índices de inflação ao consumidor computam esse efeito já no primeiro mês do ano.

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