Sérgio Castro/Estadão
Sérgio Castro/Estadão

Com alta do dólar, Embraer tem prejuízo de R$ 388 milhões

Segmento de Defesa foi o mais pressionado pela variação cambial; expectativa é de que o resultado seja positivo no último trimestre

Victor Aguiar, Suzana Inhesta, O Estado de S. Paulo

27 de outubro de 2015 | 09h02

(Atualização às 22h)

A variação cambial fez a fabricante de aviões Embraer registrar prejuízo no terceiro trimestre – resultado que foi considerado “decepcionante” pelos analistas do setor. As perspectivas para os próximos três meses, no entanto, são boas e fizeram com que as ações da companhia brasileira tivessem alta de 5,04% no pregão desta terça-feira, 27.

Entre julho e setembro, o prejuízo líquido atribuível a acionistas foi de R$ 387,7 milhões, superando a perda de R$ 24,3 milhões um ano antes. Apesar do resultado, a companhia teve alta de 62% na receita líquida do período, para R$ 4,5 bilhões. Enquanto a geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) cresceu para R$ 570,3 milhões, ante R$ 311,3 milhões de um ano antes.

O resultado da empresa foi impactado por variação cambial, com a dívida líquida da companhia subindo de R$ 685,2 milhões no final do terceiro trimestre de 2014 para R$ 2,558 bilhões ao fim de setembro deste ano. 

O vice-presidente executivo financeiro e de relações com investidores da Embraer, José Antonio de Almeida Filippo, disse que a valorização de 28% do dólar ante o real no terceiro trimestre teve um efeito negativo na base de custo do segmento de Defesa e Segurança de US$ 30 milhões no período. No ano, o montante chega a US$ 90 milhões.

“Nossos lançamentos são reconhecidos em dólar. E quando convertidos para reais geram impactos. Em Defesa temos reportado essa situação. Revisamos periodicamente esses custos”, esclareceu. Ele comentou que não há como prever se o montante se repetirá nos próximos trimestres, porque está vinculado ao comportamento do câmbio e dos custos. 

Ainda sobre câmbio, Filippo comentou que a desvalorização cambial ocorre em praticamente todas as moedas e que não é um movimento exclusivo do real. “Nosso produto é dolarizado e os custos são em reais. Acaba que, com o dólar forte, temos benefícios e podemos diluir parte desses custos.” 

Para os analistas do setor, o segmento que mais pressionou as margens da companhia foi o de Defesa e Segurança. No entanto, eles também ressaltaram que a empresa possui boas perspectivas para o próximo trimestre, já que os últimos meses do ano as entregas costumam ser mais fortes. 

Em relatório, o analista do BB Investimentos Mário Bernardes Junior afirmou que o balanço da Embraer foi “fraco”, com margens operacionais pressionadas pelos custos mais altos em alguns contratos do segmento de Defesa e Segurança, que foram negativamente afetados pelo câmbio. Bernardes destaca que o câmbio também exerceu uma influência forte nas despesas gerais e administrativas, com um aumento de 25% no trimestre na base anual. Segundo o analista, o aumento expressivo nos estoques foi surpreendente, colocando mais pressão sobre a rentabilidade e margens líquidas da Embraer.

Para o BTG Pactual, existe espaço para melhora dos resultados no quarto trimestre e em 2016, com expectativa de novas ordens para jatos comerciais.

Filippo disse que a companhia está “muito confortável” com o desempenho do segmento de aviação comercial para 2016. “Estamos com produção totalmente vendida no momento. E há uma perspectiva muito sólida para o próximo ano nesse segmento”, declarou. 

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