Alta do dólar pode ter componente especulativo, diz presidente do BB

Segundo Aldemir Bendine, no entanto, atual momento da moeda americana pode ser bom para as empresas, já que a sua valorização não traz contágio negativo para a economia

Altamiro Silva Júnior,

22 de setembro de 2011 | 15h40

A alta recente do dólar pode ter componente especulativo, mas não preocupa e pode ser boa para as empresas, avalia o presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine. "A valorização não traz contágio negativo para a economia. Não vejo como grande preocupação", disse à imprensa nesta quinta-feira, logo após fazer palestra em almoço oferecido pela Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil.

Para Bendine, um dos ingredientes da alta "um pouco exagerada" da moeda americana "pode ser um componente especulativo". Mas, para ele, uma pequena alta atende os anseios do setor empresarial e é benéfica para as empresas exportadoras.

O BB deve bater este ano, segundo Bendine, novo recorde na liberação das linhas de financiamento ao comércio exterior, Adiantamentos sobre Contratos de Câmbio (ACC) e Adiantamentos sobre Cambiais Entregues (ACE). A carteira dessas linhas fechou o primeiro semestre com saldo de US$ 36 bilhões. "Apesar da crise no exterior, as empresas continuam exportando."

 Além disso, a crise atual não deve exigir do Banco do Brasil um papel mais ativo no crédito, como ocorreu em 2008. Segundo Bendine, mesmo com a queda da Selic e o cenário atual mais conturbado, as projeções de crescimento da carteira no segundo trimestre permanecem inalteradas. "Não deve haver uma ação mais ordenada do banco no mercado de empréstimo."

Diferente da crise de 2008, Bendine não vê agora os bancos se retraindo no crédito. Ao contrário, o presidente do BB destaca que está ocorrendo um recuo na demanda por empréstimos. "Não tem havido nenhum tipo de retração no crédito. Há recursos disponíveis."

Bendine destaca que, em 2008, o BB criou a estratégia de "irrigar a economia brasileira de crédito". Com isso, o banco ganhou dois pontos porcentuais no mercado de empréstimos do País. "Até hoje essa participação foi mantida."Com o crescimento no crédito e aquisições, o Banco do Brasil dobrou de tamanho nos últimos três anos, passando de ativos de R$ 521 bilhões em 2008 para R$ 1 trilhão, valor previsto por Bendine para o fechamento de 2011.

Internacionalização

Segundo o presidente da instituição, a crise está prejudicando o projeto de internacionalização do Banco do Brasil. "O cenário mais incerto tem gerado atraso nas negociações em curso" disse ele.

Um desses casos é a entrada do BB na África. "O cenário está muito volátil e as negociações estão andando com mais cautela." No ano passado, BB, Bradesco e o Banco Espírito Santo, de Portugal, anunciaram a assinatura de um memorando de entendimentos para atuar na região.

O BB tem grande interesse em se expandir para o continente africano, destaca Bendine. Ele ressalta que não há grande quantidade de brasileiros morando na África, mas há um alto número de empresas do Brasil instaladas lá. Outro fator é que a rentabilidade média dos bancos no continente africano, que é de 45%."A entrada só não ocorreu ainda por questões negociais e a falta de uma oportunidade melhor" disse Bendine.

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