Alta do petróleo dá nova dimensão ao biocombustível, diz ministro

Fortaleza, 6 - O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, avalia a alta do preço do barril de petróleo no mundo como positiva para o setor agrícola nacional. De acordo com ele, os biocombustíveis ganham uma nova dimensão, transformando-se numa commodity fundamental para o futuro. "Já foi assim no passado. Antes de o petróleo ser transformado num elemento básico para o combustível, era da agricultura que vinham os elementos para mobilização da sociedade. E, agora, nós estamos voltando para isso em virtude dos preços astronômicos do petróleo e com o potencial que o Brasil tem no biodiesel, com mamona no Nordeste, com dendê no Norte, soja no Centro-Oeste e metanol no Brasil inteiro", apontou Rodrigues. O ministro esteve hoje de manhã em Fortaleza, onde participou da abertura do III Congresso Mundial de Profissionais da Agronomia. Rodrigues reafirmou que os preços dos insumos agrícolas estão em alta, mas não culpou exclusivamente a elevação do petróleo e recomendou cautela aos produtores no sentido de não se endividarem. "Os insumos estão subindo muito no Brasil, seja por causa do petróleo, seja por causa da demanda que cresceu muito no mundo inteiro, produzindo uma curva perigosa de alta no custo de produção e de redução de preços agrícolas. Então, nós estamos entrando numa safra em que os produtores têm de ter muita consciência dos riscos, das margens que terão para trabalharmos na direção de não endividamento do setor", aconselhou Rodrigues. Segundo o ministro, o momento pede equilíbrio e precisa ser "muito bem pensado pelo produtor agrícola do Brasil inteiro". Quanto à questão da soja transgênica, Rodrigues disse esperar que o projeto de biossegurança seja votado ainda nesta quarta-feira. "Nossa expectativa é que seja votado no Senado hoje. Aí as coisas terão a velocidade natural e normal, garantirá a legalidade para os produtores rurais brasileiros". Já com relação ao algodão transgênico, ele disse que ainda precisa ser estudado tecnicamente para ser aprovado. "Enquanto isso não acontecer é proibido. É ilegal. A soja é diferente. Ela foi avaliada pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e o governo tem a consciência que não há nenhum problema em relação a meio ambiente com este produto", assegurou o ministro. Roberto Rodrigues também aproveitou para defender o projeto das Parcerias Público-Privadas (PPPs), que também tramita no Congresso Nacional, como forma de desenvolver o potencial agrícola brasileiro. "Tecnicamente temos condições, territorialmente temos condições. Gente para isso temos preparada. Agora, é preciso investir em logística, estrutura e abertura de novos mercados para que este potencial se transforme em realidade", argumentou o ministro. "Estamos investindo em estrutura. Agora, temos muita confiança que, com as PPPs funcionando, as coisas ganham uma dimensão muito mais rápida, muito maior do que o Estado pode atender hoje. O Estado tem uma capacidade de atendimento menor do que a demanda", finalizou.

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