Alta no consumo de milho do Brasil reduzirá ritmo de exportação

O Brasil espera colher uma safrarecorde de milho em 2007/08, mas um forte aumento no consumopelas indústrias de carnes do país deve conter neste ano asexportações do cereal brasileiro, que mais que dobraram em2006/07, segundo fontes do governo e do mercado. "O consumo vai dar um salto com (a produção de) frangos,suínos e bovinos... A exportação cai porque não tenho espaço(para aumentar) por causa do consumo interno, que deve crescermuito", afirmou o especialista em milho da Companhia Nacionalde Abastecimento (Conab), Marco Antônio Carvalho. A Conab estimou nesta semana que as exportações brasileirasde milho devem cair para 9,5 milhões de toneladas na temporada2007/08, contra 10,8 milhões em 2006/07. Já o consumo brasileiro do cereal foi previsto em 44milhões de toneladas em 07/08, crescimento de quase 10 porcento ante o volume consumido em 2006/07 (40,5 milhões detoneladas). A produção nacional no ano-safra foi projetada emum recorde de 53,3 milhões de toneladas. Na temporada passada, as exportações brasileiras tiveram umforte crescimento, pulando de 4 milhões para quase 11 milhõesde toneladas, segundo o governo, devido a uma conjunção defatores favoráveis: uma demanda acima do comum da Europa,devido à quebra de safras nos países europeus, em meio a preçosinternacionais elevados, que viabilizaram as vendas do Brasil,apesar do câmbio desfavorável. Para o governo, apesar do forte aumento no consumo interno,que vai frear o ritmo de crescimento das exportações, haveráainda espaço para as vendas externas se manterem em níveiselevados, com a expectativa de preços recordes de milho nomercado internacional, diante da possibilidade de os EstadosUnidos, os maiores exportadores, terem sua safra reduzida. "A minha leitura disso é que vão plantar mais soja do quemilho (nos EUA), pelo preço. E se não plantar mais soja, nósvamos ter a soja a que preço? Não vejo como de novo se plantaraquela área grande de milho e aquela área pequena de soja",opinou Carvalho, salientando que a queda na produção de milhodos EUA vai dar condições para as vendas externas do Brasil. MENOS OTIMISMO COM EXPORTAÇÕES Um corretor que trabalha com exportação de milho em SãoPaulo, que pediu para não ser identificado, disse que o Brasilexportaria um volume ainda menor do que o previsto pela Conab. "Estimo em 7 milhões. Colocar em 10 milhões, outra vez, sóse tiver um desastre na Europa de novo, é muito cedo paraprever uma coisa dessas", declarou, lembrando que na temporadapassada só os europeus compraram quase 7 milhões de toneladas,para atender à demanda da indústria de ração animal. "A Europa não é consumidora de milho, é de trigo, houve umaquebra da safra de trigo e consequentemente compraram milhopara repor, que era mais barato." Segundo o corretor, além de uma menor demanda européia, oIrã, tradicional importador do Brasil, que comprou cerca de 3milhões de toneladas em 2007, não está mais importando o grãobrasileiro, mais caro do que o vendido por outros países. "Apesar de (o milho brasileiro) não ser transgênico (o quevaloriza o produto nacional), a diferença é absurda, o cara sóvai comprar mesmo se precisar." Devido à forte demanda interna, pela crescente procura dasindústrias de carnes, os preços do milho no Brasil estão emníveis altíssimos. O produto nacional está em 270 dólares portonelada (FOB), contra 200 na Argentina e 215 dólares nos EUA. "Comprador estaria disposto a pagar 225-230 dólares, masnão há vendedor nesses níveis." O Brasil deve embarcar ao exterior cerca de 500 miltoneladas de milho em janeiro, mas essas exportações são devendas feitas no ano passado. A produção de carnes está crescendo no país devido a umamaior demanda interna e para a exportação. O Brasil é o maiorexportador de cortes de aves e bovinos.

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