Alta no consumo e regulação aumentam corrida por postos no país

O aumento do consumo e a melhorado ambiente regulatório do setor de distribuição decombustíveis são os principais motivos para a corrida porpostos de abastecimento no país por empresas brasileiras eestrangeiras, de olho em um mercado que fatura mais de 100bilhões de reais por ano. Na avaliação do vice-presidente do Sindicato Nacional dasEmpresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes, AlisioVaz, o movimento iniciado com a compra da Ipiranga em março doano passado, da Esso no início deste ano e agora a competiçãopelos ativos da Texaco, da norte-americana Chevron, refletem obom momento que o setor está passando. Os postos da Shell, frequentes alvos de rumores de venda,também estariam na mira das empresas que há anos estacionaramem fatias de mercado bem abaixo da líder BR Distribuidora, donade 41 por cento da distribuição de combustíveis no país, e queagora querem se movimentar. "Não é só o aumento do consumo. As autoridades estão maismobilizadas e houve realmente diminuição de fraudes, isso acabaatraindo novos investidores e os que já atuam no país", disseVaz à Reuters. As vendas de combustíveis subiram 9,8 por cento no Brasilde 2006 para 2007 e a expectativa é de que aumentem mais 11 porcento em 2008. Os rumores sobre a venda dos postos da Texaco começaram acircular no setor praticamente junto com as especulações devenda de ativos da Esso, no ano passado, adquiridos de formainesperada pela produtora de álcool e açúcar Cosan, por 1bilhão de reais no início deste ano. Desta vez, o grupo Ultra, que adquiriu postos da Ipirangaem parceria com a Petrobras, é apontado pelo mercado como ofavorito de uma lista que inclui GP Investimentos, AleSat,Petrobras e Cosan. "Condições financeiras o Ultra tem, mas a Texaco é maior doque a Esso e da outra vez ele foi em parceria com a Petrobras .É quase o dobro da Esso", observou o analista Gilberto Pereirade Souza, do BES. "Mas sabemos que o Ultra saiu na frente",completou. De acordo com Souza, o Ultra subiria com a compra para umaparticipação de 24 por cento, já levando em conta os postos daIpiranga, o que reduziria a diferença em relação à BRDistribuidora. Pelos postos da Ipiranga, mais de 3 mil nasregiões Sul e Sudeste, o grupo Ultra teria pago cerca de 1,8bilhão de reais, sendo parte em ações. No caso da AleSat, a fatia de 9,8 por cento da Texacoelevaria sua operação para 15 por cento, e a Cosan, dona daEsso, subiria para 17 por cento. Na avaliação de Souza, no entanto, a compra de mais esseativo pela Cosan poderá não ser bem recebida pelo mercado.Avaliações de um eventual desvio de foco do negócio principalda companhia circularam no primeiro negócio, com a Esso, epoderiam ganhar força. No caso da Petrobras, a questão poderia esbarrar naconcentração de mercado. Procuradas pela Reuters, as empresas envolvidas preferiramnão comentar o assunto, com exceção do grupo Ultra, que repetiuo que vem afirmando desde o ano passado, de que "tem forteinteresse de crescer no país no setor de combustíveis e porisso analisa todas as oportunidades".

DENISE LUNA, REUTERS

17 de junho de 2008 | 17h48

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