Alto preço do minério pode beneficiar siderúrgicas dos EUA

As siderúrgicas norte-americanaspodem se beneficiar das novas altas dos preços do minério deferro porque, diferente de muitos produtores asiáticos eeuropeus, eles dependem menos da oferta global damatéria-prima, disseram analistas na terça-feira. "Ironicamente, quanto mais alto os aumentos nos custosglobais do minério de ferro, melhor estão as siderúrgicas daAmérica do Norte", disse a analista Michelle Applebaum, daMichelle Applebaum Research em Chicago. "Essa conclusão aparentemente anormal deve-se ao fato deque muito pouco da base de matéria-prima das siderúrgicasnorte-americanas é comprada nesse mercado", escreveu ela em umanota. Além disso, escreveu Applebaum, os custos internos vãosubir menos do que globalmente, já que a maioria das usinas nosEUA usam pelotas de minério de ferro, em vez do minério fino.As pelotas são processadas e normalmente vendidas a preçosaltos, com base no teor de ferro contido nelas. Outras produtoras dos EUA não usam minério de ferro comomatéria-prima, produzindo aço a partir de sucata. Applebaum disse que os aumentos do preço do minériosignificariam um salto de cerca de 29 dólares por tonelada nocusto final do aço. Na segunda-feira, foram fechados os primeiros aumentoscontratuais dos preços do minério de ferro deste ano, entre aVale e siderúrgicas do Japão e Coréia do Sul. O reajuste com asempresas asiáticas foi de 65 (minério de Minas Gerais) e 71 porcento (minério de Carajás). A Vale também informou que fechou com a alemã ThyssenKruppum aumento de 65 por cento para o preço do minério de ferroproduziro em Minas Gerais e de 66 por cento para a produção deCarajás, no Pará. Outro analista dos EUA, Charles Bradford, da BradfordResearch/Soleil, concorda que o impacto sobre as siderúrgicasnorte-americanas será provalvemente menor do que sobre osoutros produtores. "As pelotas ainda não subiram", disse ele, destacando queos preços do minério de ferro subiram 9,5 por cento no anopassado, enquanto que das pelotas avançaram 5 por cento. No anoanterior, quando o minério subiu mais de 70 por cento, ospreços das pelotas na verdade caíram 3 por cento, disse ele. "Pessoas como a Mittal têm as coisas sob contrato", disseBradford. A ArcelorMittal, maior siderúrgica do mundo, tornou-seamplamente auto-suficiente em minério de ferro recentemente. Noano passado ela adquiriu a canadense Dofasco, proprietária deminas de minério de ferro. Ela ainda está comprando a WabushMines, em Labrador, e tem contratos de fornecimento a longoprazo com a fabricante de pelotas de minério de ferroCleveland-Cliffs . Em dezembro, Louis Schorsch, chefe da ArcelorMittal USA,disse à Reuters que a empresa estava perto de seu objetivo de75 por cento de auto-suficiência global em minério de ferro. REUTERS CM DL

STEVE JAMES, REUTERS

20 de fevereiro de 2008 | 11h58

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