Amaggi prevê elevar suas exportações em 15% em 2010

A receita com vendas internacionais em 2009 aumentou 42% ante 2008, para US$ 1,4 bilhão

Reuters,

10 de fevereiro de 2010 | 19h26

A Amaggi, divisão do Grupo André Maggi que cuida das negociações de grãos e do processamento de soja, projeta ampliar as exportações de seus produtos em até 15 por cento em 2010, após ter crescido o volume total embarcado ao exterior em 2009 em taxa semelhante, disse o presidente do conglomerado.

A companhia informou ainda que a receita com suas exportações cresceu 42 por cento no ano passado ante 2008, para 1,4 bilhão de dólares.

As vendas externas representam a maior parte do faturamento de todo o grupo, que somou 2,3 bilhões de dólares em 2009, incluindo ganhos das divisões de produção agrícola, navegação e energia.

"O volume nosso de exportação, analisando que não aumentamos as capacidades das fábricas, e estamos aumentando originação, vai aumentar...", afirmou à Reuters Pedro Jacyr Bongiolo.

"O planejamento de volume de 2009 para 2010 é de um crescimento da ordem de 12 a 15 por cento", acrescentou o presidente do grupo, sem dar números.

Na safra passada (2008/09), a originação da Amaggi atingiu cerca de 4 milhões de toneladas, apenas de soja, o principal produto da companhia.

Em 2010, a Amaggi espera continuar colhendo frutos de uma expansão internacional que já beneficiou os resultados em 2009, quando a companhia fez acordo de preferência com a trading japonesa Marubeni e comprou uma participação majoritária de uma processadora de soja não-transgênica na Noruega, a Denofa. Em 2008, a empresa abriu um escritório em Roterdã (Holanda).

Assim, entre 2008 e 2009, o grupo da família do governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, saltou 19 posições no ranking das empresas exportadoras brasileiras, para o 14o lugar, enquanto a maioria das companhias com atuação no Brasil patinou em meio à crise .

"Foi um crescimento por preço e por volume, mas principalmente por volume, com um planejamento estratégico de crescer além de onde a gente é mais forte, em Mato Grosso. Voltamos à origens, ao Paraná, e também ao Rio Grande do Sul", disse referindo-se à maior atuação fora do Estado-sede da empresa.

O originação da empresa também deverá ser reforçada por uma joint-venture firmada no ano passado com a Louis Dreyfus Commodities, para atuar no negócio de grãos nos Estados da Bahia, Maranhão, Piauí e Tocantins.

ANTECIPAÇÃO DE CONTRATOS

Com cerca de 65 por cento de suas vendas sendo destinadas ao mercado externo, e observando que os Estados Unidos e China anteciparam boa parte de seus negócios de soja este ano, Bongiolo afirmou que a Amaggi também adiantou seus contratos de exportação, especialmente de farelo de soja.

"Nós também fizemos bastante contratos antecipados. Temos três fábricas, a parte de farelo, o que destinamos ao mercado externo, está tudo contratado, então a gente também se antecipou no nosso programa", declarou.

Com a recuperação da safra da Argentina em 2009/10, os argentinos, maiores exportadores de óleo e farelo, devem voltar forte ao mercado global, algo também considerado pela empresa.

Do total exportado em valor pela Amaggi em 2009, o farelo de soja representou 24 por cento. A soja liderou as vendas externas da empresa, com 56 por cento. Os embarques de óleo de soja e milho têm uma participação menor na receita, de 13 e 7 por cento, respectivamente.

Cada uma das três unidades de esmagamento de soja da Amaggi pode processar cerca de 7 mil toneladas ao dia.

Em 2009/10, a Amaggi também está preparada para uma safra bem maior, não apenas no Brasil como na Argentina, algo que poderá elevar os estoques de passagem, se as previsões se confirmarem, disse o executivo.

Ele, no entanto, preferiu não falar sobre a expectativa de preços, lembrando que os participantes financeiros nos mercados globais têm alterado tendências antes baseadas apenas na oferta e demanda.(Roberto Samora)

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