Ambev vence prêmio Destaque AE Empresas 2011

Empresa conseguiu ampliar sua participação de mercado e, ao mesmo tempo, manter preços que garantem boa rentabilidade

O Estado de S. Paulo,

28 de junho de 2011 | 23h00

Em um ano em que a economia brasileira cresceu 7,5%, a maior expansão desde 1986, e o emprego e a renda estiveram em alta, garantindo a inclusão das classes C e D no consumo, empresas focadas no mercado interno souberam aproveitar o momento favorável e obtiveram resultados acima dos setores tradicionais da economia.

Nesse cenário, companhias ligadas a comércio e serviços ganharam a atenção dos investidores e lideraram o topo da lista das premiadas pelo Destaque Agência Estado Empresas 2011, relativo ao ranking de 2010, elaborado com a Economatica.

A grande vencedora do prêmio foi a Ambev, uma empresa brasileira com tamanho de multinacional, que tem seu foco nas classes C e D. Também se destacaram empresas ligadas ao varejo de vestuário e ao setor de serviços. Em comum todas foram beneficiadas pela expansão do mercado interno.

A Ambev conseguiu, no ano passado, algo que nem sempre é possível nas empresas muito dependentes do consumo das classes C e D: manter sua ampla fatia nos mercados de cervejas e refrigerantes e ao mesmo tempo segurar os preços em um patamar considerado adequado pela companhia para permitir uma boa rentabilidade. As bases construídas em 2010 permitirão que a empresa enfrente agora as dificuldades previstas para este ano, com a alta dos impostos de bebidas e a política restritiva do governo, com contenção do crédito e alta dos juros.

O aumento de impostos em refrigerante foi de cerca de 20% e em cerveja de 15%. O fato levou a companhia a aumentar os preços de seus produtos. "Para o consumidor de cerveja o valor é o que faz a diferença. Se praticássemos um preço mais baixo, teríamos mais participação de mercado. Mas essa equação não faz sentido para o acionista", afirma o presidente da Ambev, João Castro Neves.

Mesmo diante desse cenário, a companhia não teme uma eventual desaceleração do consumo. Para o executivo, foi fundamental ter um ano positivo em 2010 para encarar o período difícil que se mostra agora. "Iniciamos 2011 preocupados com os sinais que o governo está mandando, mas muito mais preparados. Quando você começa a ter um ‘montão’ de produtos e inovações em seu portfólio, você tem mais flexibilidade para se preparar para essa situação de desaceleração", ressalta.

Resistência. Desde 2009, com o estouro da crise internacional no final do ano anterior, as empresas focadas no mercado interno têm se destacado na premiação da Agência Estado. Neste ano, em sua décima primeira edição, o ranking avaliou 205 empresas de capital aberto, com patrimônio líquido superior a R$ 10 milhões, a partir de sete critérios que levam em conta risco, liquidez, retorno, além de indicadores fundamentalistas. As dez primeiras colocadas receberam ontem à noite o prêmio Destaque AE Empresas.

Com base nesses critérios, o ranking mostra que o investidor no ano passado não quis ficar restrito apenas às ações mais líquidas e de grandes empresas, conhecidas como blue chips. Pelo contrário, buscou o ganho nos dividendos e no retorno de companhias que colhem os resultados do crescimento da economia brasileira.


As empresas tiveram um ano muito bom em 2010. Levantamento da Economatica mostra que, descontada a inflação, as vendas das companhias de capital aberto cresceram, na mediana, 11,2% em 2010 em relação ao ano anterior. "É muito, principalmente porque agora percebemos um movimento de continuidade", diz Fernando Exel, presidente da Economática.

Nos períodos anteriores, em poucos anos houve crescimento de vendas e mesmo assim foram movimentos sem continuidade. "Só vimos números tão elevados em 1994, como resultado do Plano Real, e em 2000, após desvalorização do câmbio, mas foram dois picos, sem continuidade." Em 1994, a alta foi de 16,4%, em 2000 ficou em 11,6% e em 1992 em 10,5%. Em todos os demais anos da série ou houve retração ou o crescimento foi de apenas um dígito.

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