América Latina não está imune à crise e deve se preparar, diz Lagarde

Chefe do FMI destacou que países devem continuar reconstruindo reservas e mantendo políticas fiscais prudentes

Gustavo Nicoletta, da Agência Estado,

25 de novembro de 2011 | 19h16

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, disse que a América Latina não está imune à crise das dívidas europeias e deve se preparar para eventuais turbulências econômicas por meio de políticas fiscais prudentes. As recomendações de Lagarde estavam num artigo publicado nesta sexta-feira, 25, dias antes de uma viagem da autoridade pela região.

Segundo ela, os países latino-americanos "devem continuar reconstruindo as reservas, inclusive mantendo políticas fiscais prudentes - isso criaria espaço de manobra para o caso de a situação econômica azedar". Lagarde disse também que a consolidação fiscal não deve ocorrer em detrimento de programas sociais ou investimentos em educação e infraestrutura. "É melhor explorar o escopo de mobilização de mais receita onde os impostos são baixos ou tornar os gastos mais eficientes."

A chefe do FMI vai visitar Peru, México e Brasil nos próximos dias e fará reuniões com as autoridades desses países. A América Latina teve um desempenho econômico relativamente bom durante a crise financeira, mas no mês passado o FMI cortou a estimativa de crescimento da região e do Caribe em 2012 para 4%, de 4,2% anteriormente.

"O crescimento sozinho é apenas o primeiro passo. A região em geral precisa de um crescimento mais inclusivo do ponto de vista social", afirmou Lagarde, acrescentando que historicamente "a desigualdade tem sido o veneno da América Latina."

Em seu artigo, ela disse que o México precisa implementar reformas estruturais para fomentar o crescimento, que poderia ser mais acelerado se houvesse reformas fiscais, trabalhistas e no setor de energia. Para o Brasil, o principal desafio seria aumentar o nível de poupança doméstica a fim de promover crescimento sustentado.

Lagarde pretende se reunir com o presidente do Peru, Ollanta Humala, na segunda-feira. Na terça-feira, ela viajará para a Cidade do México, onde fará uma reunião com o presidente do banco central do país, Agustin Carstens, e com o presidente mexicano, Felipe Calderón. Na quinta-feira, ela chegará ao Brasil e deve se reunir com a presidente, Dilma Roussef, com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e com o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini.

As informações são da Dow Jones.

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