América Latina resiste às fraquezas do mercado global, diz 'FT'

Onda de fusões e aquisições na região mostram 'maturação' das economias latinas e seu 'descolamento' dos EUA

BBC,

26 de setembro de 2007 | 08h13

O ritmo de aquisições e fusões de empresas na América Latina, financiadas em meio ao rareamento da oferta de crédito global com as turbulências no mercado americano, indica "a maturação dos mercados financeiros latinos e seu lento descolamento dos Estados Unidos", segundo afirma reportagem publicada nesta quarta-feira, 26, pelo diário econômico Financial Times.   O jornal dá como exemplo a recente aquisição da siderúrgica texana Chaparral pela brasileira Gerdau por US$ 4 bilhões, financiados em grande parte pelo banco JP Morgan. "Banqueiros especializados em fusões e aquisições que cobrem a América Latina dizem que a região vai continuar a resistir às fraquezas vistas nos mercados desenvolvidos", afirma a reportagem.   No caso do Brasil, afirma o jornal, o país "está colhendo os frutos da estabilidade econômica e a conseqüente queda nas taxas de juros, assim como de um aumento na confiança sobre a administração do mercado de ações".   A reportagem do Financial Times é acompanhada de um texto que comenta a escassez de mão-de-obra especializada para os bancos de investimento que operam no Brasil.   Segundo o jornal, o problema é exacerbado por um "êxodo de talentos" entre 1997 e 2002. "Uma escassez de atividades do mercado nesse período viu um grande número de bancos americanos cortar ou encerrar suas operações, enquanto bancos locais também realocaram ou demitiram muitos funcionários", diz a reportagem.   O jornal observa, porém, que "a rapidez da melhora nos últimos três anos tomou todos de surpresa". "Contratar e manter os talentos se tornaram as maiores dores de cabeça para os bancos de investimento e têm levado a um forte aumento nos salários", afirma o jornal, destacando que no Brasil esse aumento tem sido ainda mais acentuado.   "A inflação dos salários explica por que muitas empresas têm sido lentas em entrar na festa, segundo um banqueiro", afirma o jornal. "Eles simplesmente não conseguem encontrar pessoal qualificado para seus escritórios."   Lições   A edição desta quarta-feira do Financial Times traz ainda um artigo assinado por Rick Leaman, chefe do setor de investimentos do banco suíço UBS, no qual ele afirma que o Brasil contraria a tendência dos mercados globais e argumenta que a economia do país tem lições a oferecer a outros países.   "Nas últimas semanas e meses, tem havido muito debate público sobre o estado dos mercados financeiros globais. O consenso é que os mercados de capital e a atividade de fusões no mundo todo deverão ter uma queda", observa Leaman em seu artigo.   Ele afirma, porém, que sua experiência no Brasil contraria essa percepção. "Estamos muito ativos no Brasil, o quinto maior mercado do mundo para abertura de capital de empresas, representando 85% dos lançamentos de ações até agora neste ano na América Latina", diz.   Ele observa que "47 aberturas de capital foram feitas até o fim de agosto, gerando US$ 18,5 bilhões dos US$ 20,5 bilhões gerados na América Latina, num crescimento de 330% em relação ao mesmo período do ano passado".   "Assim como no restante dos mercados globais, houve uma pausa em volume de aberturas de capital no mercado brasileiro em agosto. Mas o efeito em geral tem sido um no qual os investidores são mais seletivos e as companhias têm de considerar suas opções com mais cuidado", comenta Leaman.   Mas ele conclui afirmando que "o Brasil continua sendo um mercado interessante e dinâmico para observar e também um que oferece muitas lições para outros mercados desenvolvidos".

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