Natural da Terra/Divulgação
Natural da Terra/Divulgação

Americanas compra o hortifrúti Natural da Terra por R$ 2,1 bilhões

Gigante do varejo põe os dois pés no negócio de alimentos frescos, em movimento semelhante ao feito pela Amazon, que comprou a rede Whole Foods nos EUA

André Jankavski, Fernando Scheller e Talita Nascimento, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2021 | 18h21
Atualizado 11 de agosto de 2021 | 20h41

A Americanas está fincando os dois pés no setor de alimentos frescos. A empresa comprou a rede de hortifrúti Natural da Terra por R$ 2,1 bilhões. O negócio envolve 100% das ações da companhia, que tem 73 lojas em quatro Estados (Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo). 

Segundo o fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o negócio tem forte participação online, com as vendas pela internet representando 16% do total. A Natural da Terra faturou R$ 2 bilhões nos 12 meses encerrados em 30 de junho de 2021. 

“A aquisição é um movimento estratégico da Americanas para ser ainda mais relevante no dia a dia dos clientes”, destaca a companhia. A conclusão da operação está sujeita à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e eventuais autorizações societárias.

A compra da Natural da Terra é um movimento ousado tanto do ponto de vista do tamanho – mais de R$ 2 bilhões – quanto de extensão do portfólio para os alimentos frescos, lembrando o movimento da Amazon, que nos EUA comprou a rede de apelo saudável Whole Foods

Essa é exatamente a visão de Alberto Serrentino, fundador da consultoria Varese Retail e especialista em varejo. “É um negócio muito importante não tanto pelo porte, mas estrategicamente falando. Trata-se de um nicho com alta margem e muito redondo operacionalmente”, diz Serrentino. “Agora, a Americanas está entrando no varejo alimentar de verdade.”

Em abril, o Natural da Terra havia pedido registro para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para uma abertura de capital. No prospecto, a companhia afirmava que tinha uma participação de 5,32% no Rio de Janeiro e de 1,7% em São Paulo no segmento de varejo alimentar. Mesmo com a compra, apurou o Estadão, o atual CEO da empresa, Thiago Picolo, continua tocando o negócio.

A companhia foi criada em 1989 no Espírito Santo. Em 2015, a companhia passou por um processo de fusão com outra rede do ramo, a Hortifruti. Em 2016, a companhia teve comprado cerca de 40% do capital por parte do fundo suíço de private equity Partners Group (PG), que posteriormente ficou com toda a operação – nessa época, os fundadores deixaram o negócio.

O analista da corretora Guide, Henrique Esteter, enxerga o negócio como “fora da caixa” e também aponta a questão das margens como positivas para a Americanas – o Natural da Terra chega a ter o triplo de margem em comparação com a empresa controlada pelo 3G Capital. Isso pode ajudar com que a Americanas recupere parte da confiança dos investidores – sua ação acumula queda de quase 40% no ano. “O Natural da Terra pode ajudar a Americanas com a recorrência (de compras), que é algo que a empresa vem buscando nos últimos tempos”, afirma Esteter.

O Natural da Terra já faz parte do Supermercado Now, aplicativo de entregas de supermercados adquirido pela B2W em janeiro de 2020. Para Vitor Santos, da Valor Investimentos, isso aprimora a agilidade operacional e também vai trazer uma maior integração com a AME, que é a fintech da Americanas. “Além disso, traz uma sinergia bem interessante e acredito que isso pode estimular outras aquisições da empresa nesse setor”, diz.

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