Ricardo Moraes/Reuters - 8/10/2012
Ricardo Moraes/Reuters - 8/10/2012

Amil terá de ficar com planos de saúde que pretendia repassar a outra empresa, diz ANS

Carteira de 337 mil planos individuais era deficitária; clientes seriam assumidos por empresa recém-formada, liderada pelo fundo de investimentos Fiord; partes envolvidas têm dez dias para se manifestar junto ao órgão regulador

André Jankavski, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2022 | 20h40
Atualizado 04 de abril de 2022 | 22h11

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) decidiu nesta segunda-feira, 4, que a operadora Amil terá de reassumir a carteira de 337 mil planos individuais que seria repassada a um grupo liderado pelo fundo Fiord. A autarquia também determinou que está suspenso qualquer movimento de venda das participações do capital social da Assistência Personalizada à Saúde (APS), operadora de planos de saúde da própria Amil que abrigou os milhares de consumidores. O objetivo era repassar o negócio ao grupo após eventual aval da ANS.

Segundo o comunicado da ANS, a transferência dos planos individuais para a APS foi aprovada no fim do ano passado porque a Amil garantiu que faria os aportes necessários para manter o equilíbrio econômico-financeiro da APS. No entanto, a autarquia afirmou que, após análise dos documentos, “a Amil já tinha definido a venda das quotas da APS, o que faria com que a Amil e APS deixassem de fazer parte do mesmo grupo econômico – esvaziando, assim, a garantia oferecida pela Amil em favor da APS.”

As empresas envolvidas terão prazo de dez dias para apresentar manifestações à ANS, data em que a autarquia tomará a sua decisão final a respeito da transferência de carteira.

Entenda o caso

Após meses de negociação e com grande dificuldade de encontrar interessados no negócio, apesar de se dispor a fazer um aporte bilionário para isso, a Amil decidiu repassar a deficitária carteira a um grupo recém-formado por três sócios: a Fiord, que se autodenomina uma empresa de investimentos, com fatia de 45%; o grupo Seferin & Coelho, de gestão de hospitais, com 45%; e o executivo Henning von Koss, ex-Hapvida, Amil e Medial Saúde, com os 5% restantes.

Antes disso, a Amil já havia feito aporte de R$ 2,3 bilhões na APS para que o negócio parasse de pé. Porém, o dinheiro só seria acessado pelos compradores após o aval da ANS.

Em fevereiro, o grupo de investidores havia afirmado que o negócio tinha viabilidade financeira e condições de se sustentar no longo prazo. Na época, em nota, a empresa garantiu que a transferência não traria prejuízos aos beneficiários.  

Procurada nesta segunda-feira, a Amil afirmou que irá se manifestar “tão logo seja comunicada oficialmente pela ANS e tenha acesso à avaliação realizada pelo órgão”.

O grupo Seferin & Coelho, a Fiord Capital e Henning von Koss se manifestaram em nota. Leia abaixo:

"Seferin & Coelho, Fiord Capital e Henning von Koss, candidatos a compradores das quotas da APS, no que tange ao parágrafo mencionado em nota publicada hoje (4) no site da ANS,  questionando a capacidade financeira do grupo para garantir o equilíbrio econômico e financeiro da APS, e a conclusão que exporiam a risco a continuidade e a qualidade da assistência, esclarecem:

  1. A negociação da transação de compra das quotas da APS prevê, como pilar fundamental, um aporte superior a R$ 2,3 bilhões em forma de caixa disponível na APS, de forma imediata.
  2. A este montante, se somam as possíveis receitas financeiras desse capital e as mensalidades pagas mensalmente pelos beneficiários, que somam R$ 3 bilhões ao ano.
  3. Uma vez que consideramos essa estrutura financeira sólida e única em empresas desse mesmo porte no setor, e que do ponto de vista atuarial o valor supera a necessidade para garantir estabilidade, estaremos esperando pela comunicação oficial da ANS para entender melhor essas necessidades."

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