Amorim compara etanol a colesterol e diz que o de cana é o bom

Em meio a discussões sobre oimpacto dos biocombustíveis na oferta de alimentos no mundo, oministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, fezuma analogia entre o etanol e o colesterol, indiretamentecriticando a produção do combustível a partir de cereais. "Etanol é como colesterol. Tem colesterol bom e colesterolruim. O etanol de cana é o colesterol bom", afirmou o ministro. A produção de biocombustíveis tem sido criticada pororganismos internacionais como um fator de elevação dos preçosdos alimentos e de redução da oferta global. Países no hemisfério norte, onde o clima não permite aprodução em larga escala de cana-de-açúcar, utilizam cereaiscomo milho e trigo para produzir etanol. "O colesterol bom salva. O etanol de cana-de-açúcar,utilizando terras que não estão sendo destinadas a culturascomo arroz, milho, trigo, é a solução. Contribui para menoremissão de CO2 e dá emprego", afirmou Amorim durante palestrano Coppe, instituto ligado à Universidade Federal do Rio deJaneiro."É preciso reverter essa idéia de que o biocombustível é umcrime contra a humanidade", afirmou, acrescentando que aprodução de combustíveis renováveis pode ser uma solução paraos países pobres como o Haiti, "que vive de migalhasinternacionais". Amorim aproveitou a polêmica para criticar os subsídios dospaíses desenvolvidos ao setor rural, que segundo ele impedemmaior produção de alimentos em países como os da África."As pessoas dizem que os biocombustíveis estão impedindo osalimentos, mas não é na África, porque lá eles não estãoproduzindo alimentos nem biocombustíveis por causa dossubsídios dos países ricos", afirmou. "A contribuição dos países ricos para o problema da fome éeliminar os escandalosos subsídios agrícolas. A Rodada de Dohaé uma oportunidade para isso", concluiu.

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