Amorim diz a jornal indiano que Brasil ainda negocia na OMC

Na avaliação do chanceler, os países ricos não podem tentar inverter a ordem da negociação

Jamil Chade

17 de julho de 2007 | 15h31

Genebra, 17 - O Brasil poderá fazer concessões se americanos e europeus também flexibilizarem suas posições na Organização Mundial do Comércio. É o que disse o chanceler Celso Amorim, em uma entrevista publicada hoje no jornal indiano The Hindu. Para ele, os países ricos subestimam a "dignidade" dos países em desenvolvimento nas negociações da OMC.Ao comentar o comportamento dos Estados Unidos e Europa na conferência fracassada de Potsdam, há um mês, Amorim disse que Bruxelas e Washington têm a "chave" para desbloquear a rodada. "Os países ricos precisam aprender que não podem apenas colocar pressão e achar que terão o resultado que queiram", disse Amorim. "Em Potsdam, eles subestimaram nosso sentido de equilíbrio e dignidade. Não acho que fizeram de má fé. É apenas um velho hábito", disse.Na avaliação do chanceler, os países ricos não podem tentar inverter a ordem da negociação, exigindo que as economias emergentes abram seus mercados para produtos industriais antes de saber o que ganharão no setor agrícola. "O que não se pode é colocar uma faca no peito e dizer que se não houver movimento em produtos industrializados não haverá rodada", afirmou. "Se os americanos reduzirem seus subsídios ao que deveriam, então certamente nós também poderemos fazer concessões", garantiu Amorim. O chanceler admite que a situação hoje está difícil para a Rodada, mas ainda acha não ser "impossível a conclusão" antes do fim do ano. Para Amorim, a rodada seria a melhor forma de "combater a pobreza, crime e até o terrorismo".Para Amorim, o fracasso de Potsdam pode abrir novos caminhos para outros acordos entre os países emergentes. "Devemos explorar novos caminhos. Seria muito importante ter um amplo espaço econômico envolvendo Brasil, Mercosul, SACU (grupo de países da África) e Índia". Mas Amorim deixa claro que a OMC "continua sendo importante". "Nossas relações com o mundo rico não são menores. Precisamos de um sistema e regras estáveis, que nos permita abrir disputas, como no caso do algodão e açúcar. Esse sistema é necessário e não podemos abandoná-lo", disse. "O impasse é uma bênção disfarçada no sentido que nos alerta para outras possibilidades, mas não podemos ir longe demais, já que OMC continua sendo essencial", disse.

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