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ANÁLISE-Alta do dólar e ação do governo dão alento à siderurgia

Depois de um primeiro semestre em que as siderúrgicas brasileiras conviveram com um real valorizado e se voltaram para o mercado interno, analistas começam a ver motivos para uma melhora no desempenho das empresas, ainda que ligeira, na segunda metade do ano.

ALBERTO ALERIGI JR., REUTERS

22 de setembro de 2011 | 19h20

A avaliação decorre de uma combinação da recente valorização do dólar contra o real, ações do governo para apoiar a indústria nacional e manutenção dos preços do aço. Antes, a expectativa do mercado era de novas quedas nos preços dos produtos no segundo semestre.

Apesar disso, o voto de confiança, após um primeiro semestre de resultados fracos, depende do contexto internacional que está ameaçado por possíveis recessões nos Estados Unidos e na Europa e segue permeado pelo excesso de capacidade de produção.

"O câmbio parece que não assusta mais. A 1,70, 1,80 (real por dólar) é bem mais razoável. Não é mais um grande problema", afirmou o analista Rafael Weber, da Geração Futuro. "Olhando hoje essa questão do câmbio, a gente resolveu um terço dos problemas."

Os dois terços restantes, segundo o analista, são o custo ainda elevado de matérias-primas como carvão e minério de ferro, que já podem ter atingido um teto, e a dinâmica entre crescimento econômico e oferta de aço.

No primeiro semestre, por exemplo, o presidente da Usiminas, Wilson Brumer, afirmou que exportar com o dólar cotado em cerca de 1,50 real era o mesmo que "perder dinheiro". Por isso, a maior produtora de aços planos do país reduziu a meta de participação de exportações no volume de vendas de 25 por cento em 2010 para cerca de 10 por cento em 2011.

Para a analista Daniella Maia, da corretora Ativa, se o real se manter no patamar mais desvalorizado no restante do ano, será positivo para as siderúrgicas, uma vez que "a tendência de queda de preços de aço no mercado interno será anulada".

"O cenário melhorou um pouco, mas a volatilidade (do câmbio) é o grande problema", disse Daniella.

No terceiro trimestre até quarta-fera, o dólar subiu 19 por cento ante o real, enquanto a valorização apenas em setembro foi de quase 17 por cento.

APOIO DO GOVERNO

A sinalização do governo em apoiar o mercado industrial brasileiro com medidas para desestimular a importação de produtos acabados com grande percentual de aço, como veículos, fornece uma perspectiva mais positiva às usinas, principalmente para Usiminas e CSN, grandes produtoras de aços planos.

Em 2010, a enxurrada de importações diretas e indiretas de aço pelo Brasil obrigou as empresas a concederem descontos de dois dígitos que comeram as margens de lucro e afetaram o desempenho do primeiro trimestre deste ano.

"Essa imposição do governo por um produto nacionalizado pode impactar positivamente todo o setor de aço", disse o analista Carlos Eduardo, do Banco do Brasil. Ele se referiu à elevação por um ano do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que incide sobre veículos importados.

Segundo ele, os setores automotivo e de construção civil, este último já incentivado por programas de investimento em infraestrutura e moradia popular, são responsáveis por 80 por cento do consumo de aço do Brasil.

A perspectiva ligeiramente otimista de analistas sobre o setor contrasta com o corte de estimativas anunciado pelo Instituto Aço Brasil (IABr) pouco antes de o governo elevar o IPI de veículos importados.

O IABr reduziu no final de agosto a previsão de produção de aço em 2011 de 39,4 milhões para 36,3 milhões de toneladas, enquanto a previsão para vendas internas foi revista de crescimento de 18,6 para 8,9 por cento, a 22,55 milhões de toneladas.

"O cenário ainda é incerto. O estoque de aço ainda está elevado, há certa desaceleração da atividade interna, mas pelo menos não vai ter redução de preços, o que é uma boa notícia", disse Weber, da Geração Futuro.

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