ANÁLISE-Deságio de Jirau surpreende e mercado refaz contas

Mais uma vez o leilão deconcessão de uma usina hidrelétrica do rio Madeira, emRondônia, surpreendeu o mercado, que agora refaz suas contaspara entender como o grupo liderado pela belgo-francesa SuezEnergy conseguiu oferecer um preço 21,5 por cento inferior aoinicial de 91 reais o megawatt hora. No leilão anterior, da usina de Santo Antônio, vencido peloconsórcio derrotado em Jirau e liderado por Furnas e Odebrecht,o deságio foi de 35 por cento sobre um preço mínimo de 122reais o megawatt hora e a expectativa para o segundo leilão erade desconto de no máximo 10 por cento sobre o preço mínimo. "Foi um resultado ruim, com retorno bastante duvidosoconsiderando os parâmetros que a gente têm disponíveis hoje, eprincipalmente levando em conta a trajetória altamamentepositiva que a Suez tem no Brasil", afirmou a analista MônicaAraújo, da corretora Ativa. Em leilão realizado pela Suez na sexta-feira, para venda de30 por cento da energia de Jirau ao mercado livre, o preçogirou entre 120 e 130 reais o megawatt hora, dependendo doprazo da entrega, segundo a Comerc, uma das principaiscomercializadoras e gestoras de energia do país. As ações do braço da companhia no país, a Tractebel EnergiaSuez, sentiram imediatamente a desconfiança do mercado emrelação ao preço oferecido pelo consórcio, que é integradotambém pelas estatais Eletrosul e Companhia Hidrelétrica do SãoFrancisco (Chesf), além da construtora Camargo Corrêa. Os papéis da Tractebel fecharam em queda de 6,03 por cento,enquanto o Ibovespa subiu 0,92 por cento no dia. A Suez Energy,por meio da Tractebel Energia Suez, é responsável por cerca de8 por cento da geração de energia no Brasil. A empresa é líderem geração privada com um parque gerador de 13 usinashidrelétricas com capacidade instalada de 5.918 megawatts. MENOS CUSTOS De acordo com o analista do Banif Vicente Koki, apesar datarifa ter ficado abaixo da expectativa do mercado, ainda épreciso analisar os fatores que levaram a Suez a fazer aoferta. "Não acho artificial não (o preço), acho que tem uma boamatemática para dizer que esse preço é competitivo, mas precisaver o que eles vão mostrar mais para frente", avaliou. O presidente do consórcio vencedor, Energia Sustentável doBrasil, Victor Paranhos, explicou que o deságio foi possívelapós estudos que apontam para a antecipação do início daoperação da usina, de janeiro de 2013 para março de 2012, epela redução de custos. Para o professor Nivalde de Castro, coordenador do grupo deestudos de energia elétrica da Universidade Federal do Rio deJaneiro, três fatores foram decisivos para a vitória do grupoda Suez: a mudança no projeto; a realização de um leilão nasexta-feira que balizou o preço e a demanda em relação aomercado; e a incorporação dos ganhos que o grau de investimentorecém conquistado pelo Brasil dará ao país. "O Brasil vai passar a receber muitos investimentosestrangeiros buscando projetos de longo prazo em setores commarco reulatório estabilizado, e o setor elétrico é o que tem omelhor marco regulatório do país", disse Castro. Ele disse ter ficado surpreso com o deságio alcançado navenda, já que estimava no máximo 10 por cento. "O fator mais relevante é que o projeto de engenhariaapresentado por esse consórcio era mais barato do que o doconsórcio perdedor, eles vão mudar o tipo de turbina a serutilizada, por exemplo e antecipar a operação", destacou. Para o presidente do Instituto Acende Brasil, ClaudioSales, o grau de investimento foi fator decisivo para aagressividade da proposta da Suez, e o desafio agora está nasmãos do novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. "O grande desafio agora cai no colo do novo ministro paraque as próximas etapas de licença ambiental sejam eficientes,ainda mais que eles anteciparam o projeto", destacou Sales. O consórcio vencedor terá que detalhar os programasambientais previstos no Estudo de Impacto Ambiental eentregá-lo para análise e aprovação do Ibama para receber alicença de instalação e depois de operação. (Edição de Marcelo Teixeira)

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