ANÁLISE-Genzyme rejeita oferta e não deve negociar com a Sanofi

A farmacêutica francesa Sanofi-Aventis está fazendo o possível para persuadir os acionistas da sua concorrente norte-americana Genzyme a aceitar negociar a venda da empresa, após fazer uma oferta inicial de 69 dólares por ação pela companhia.

TONI CLARKE, REUTERS

30 de agosto de 2010 | 17h55

Nesta segunda-feira, a Genzyme rejeitou a proposta, que totaliza cerca de 18,5 bilhões de dólares, por considerá-la muito baixa, e acionistas asseguraram que apoiarão o Conselho de Administração caso a francesa busque fazer uma oferta hostil.

Executivos da Sanofi indicaram em entrevistas à imprensa que a companhia não pretende elevar significantemente sua oferta pela Genzyme, e sinalizaram que devem desistir se a empresa de biotecnologia recusar conversas.

Mas acionistas da Genzyme não se comoveram, e não devem aceitar qualquer valor abaixo de 75 dólares por ação, segundo a sinalização de 13 acionistas da companhia nesta segunda-feira. Alguns afirmaram inclusive que, caso haja uma proposta, ela deve ser de pelo menos 80 dólares por ação para chamar sua atenção.

"Creio que, com o que estão oferecendo, a Sanofi conseguirá dos acionistas da Genzyme o mesmo que conseguiram de seu conselho", disse o vice-presidente de investimentos da Empire Asset Management, Michael Obuchowski, acrescentando que, caso a Sanofi faça uma oferta hostil, ele não aceitaria nada abaixo de 80 dólares por papel.

"Não é de partir o coração se não houver aquisição", disse Obuchowski. "Mas a 80 dólares por ação, faria sentido vender".

As ações da Genzyme, que é uma das maiores fabricantes do mundo de remédios para doenças genéticas raras, registraram alta de 3,39 por cento, para 69,91 dólares, no fechamento da sessão.

O presidente-executivo da Sanofi, Chris Viehbacher, minimizou expectativas de que a Genzyme receba outra proposta de compra nesta segunda-feira.

"O número de empresas no setor que têm 18,5 bilhões de dólares em caixa para gastar com a Genzyme é bem limitado", disse Viehbacher em teleconferência com analistas nesta segunda-feira.

Até agora, não houve nenhuma contra-oferta à proposta da Sanofi pela Genzyme, mas isso não significa que nenhuma irá surgir, especialmente dada a presença indireta do ativista bilionário Carl Icahn no conselho da norte-americana.

Icahn tem um histórico de trazer novos personagens a uma disputa quando está envolvido na venda de uma companhia, mesmo quando não há expectativa de disputa.

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