ANÁLISE-Leilão de renováveis terá grandes geradoras de energia

Os leilões de fontes renováveis de energia, que acontecerão nesta semana em São Paulo, contarão com forte presença de grandes empresas de energia que atuam em geração hidráulica.

CAROLINA MARCONDES, REUTERS

24 de agosto de 2010 | 13h04

Com o maior número de projetos inscritos, a geração eólica deverá ser o grande destaque dos leilões. A participação em PCHs será restrita, enquanto no segmento de biomassa, a energia vendida deverá vir principalmente de empresas que já produzem para consumo próprio e possuem algum excedente, como companhias sucroalcooleiras.

O Leilão de Reserva de Energia acontecerá nos dias 25 e 26 de agosto. Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), 366 usinas obtiveram habilitação para participar, e a energia ofertada por elas chega a 10.745 megawatts (MW).

Das 366 usinas, 316 são de energia eólica, 40 são de biomassa e 10 são Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs). Os preços-teto serão de 156 reais por megawatt-hora (MWh) para biomassa, 167 reais para eólicas e 155 reais para PCHs.

Já no leilão A-3 (com entrega da energia no terceiro ano após a concessão), que acontece em 26 de agosto, também estarão incluídas apenas estas fontes de energia. Segundo a EPE, serão 368 empreendimentos habilitados, com 10.415 MW.

Neste leilão, serão 320 empreendimentos eólicos, 33 de biomassa e 15 PCHs. Este evento terá como preço-teto 167 reais por MWh para eólicas e biomassa e 155 reais por MWh para PCHs.

Muitos projetos, no entanto, participarão simultaneamente dos dois leilões.

"O Leilão de Reserva tem como objetivo contratar energia além daquela necessária para atender à demanda dos consumidores. Isso aumenta a segurança e a garantia de fornecimento de energia elétrica no país. Já a energia adquirida no Leilão de A-3 é destinada especificamente ao suprimento da demanda de mercado indicada pelas distribuidoras de eletricidade", explicou a EPE.

Os empreendimentos do leilão A-3 entrarão em operação em janeiro de 2013, enquanto os lotes contratados no Leilão de Reserva iniciam a geração em setembro de 2013 --no caso das térmicas a biomassa, o início de operação poderá ser feito nos meses de setembro de 2011, 2012 e 2013.

"Os leilões deverão ser muito competitivos, mas não acredito em deságio forte. Em energia eólica, o deságio não deve passar de 15 por cento, enquanto no outro (em 2009) foi de 22 por cento", diz o consultor do núcleo de estudos econômico-financeiros da Andrade & Canellas, Ricardo Savoia.

De acordo com ele, esta redução no deságio será resultado do fato de que o último leilão de eólicas possuía usinas com capacidade mais elevada, "que poderiam brigar por melhores preços". "Agora a eficiência será maior, mas os preços estarão atrelados a negociações com fornecedores."

CONCORRÊNCIA ENTRE GRANDES

Savoia destaca ainda que a participação de grandes geradoras no leilão de eólicas será grande. "As novas PCHs estão ficando cada vez mais distantes dos centros de carga, o que eleva os custos. Além disso, a capacidade brasileira de geração de energia eólica é de 153 gigawatts, o que torna essa geração praticamente inexplorada", diz o consultor.

"As grandes empresas de geração estão entrando em eólica para que a energia seja complementar à hidráulica. Os locais têm alta concentração de ventos e a época de seca é a que mais venta", afirma o diretor-executivo da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Pedro Perrelli.

Em julho, o presidente da CPFL Energia, Wilson Ferreira Júnior, afirmou que a companhia levaria projetos remanescentes de licitação realizada em dezembro passado ao leilão, no segmento de eólica. A Copel também deve participar do leilão por meio de projetos de energia eólica. Cemig e Eletrobras também devem participar, embora não tenham confirmado em que áreas deverão concorrer.

Para Perrelli, "os preços-teto não são favoráveis, não estimulam, mas não é um fator de desistência. O número de participantes mostra isso."

Já para a advogada da Becker, Pizzatto & Advogados Associados, Marilia Pioli, enquanto para as usinas hidrelétricas o marco regulatório é um fator positivo, o mesmo não vale para a energia gerada por outras fontes. "Isso pode colocar somente empresas grandes na disputa", afirma.

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