ANÁLISE-Receita da Petrobras pode subir até R$6bi com ajuste

Não adiantou o presidente Lulanegar. No mercado, a expectativa por um ajuste nos preços dagasolina e do diesel pela Petrobras ganhou força após asdeclarações do presidente na semana passada [ID:nN25366106] e aaposta agora gira em torno do percentual e do dia do anúncio. Segundo cálculos do Banif, uma alta de 5 a 7 por cento dagasolina e do diesel poderiam significar um incremento dereceita da ordem de 5 a 6 bilhões de reais no ano para aestatal, levando em conta que o banco de investimentos projetao aumento apenas para o segundo semestre. Certos de que o governo tentará preservar o máximo possívelo impacto na inflaço, analistas não se iludem em um desejadorepasse de toda a defasagem acumulada no ano, hoje estimada emmais de 20 por cento. "Estamos esperando sim (o aumento), se vier reajuste acotação das ações vai refletir isso, mas o mercado pode ficardesestimulado se for de apenas 5 por cento como está defalando", disse o analista do Banco do Brasil InvestimentosNelson Rodrigues de Matos. Para a gasolina, as projeções de aumento apontam para algoentre 5 e 7 por cento, o mesmo estimado para o diesel, que noentanto poderia ficar de fora nesse momento devido ao seu pesona economia. Tanto no Banif como no Sindicato do Comércio Varejista deCombustíveis do Município do Rio de Janeiro ainda existemdúvidas em relação ao ajuste do diesel. Para o presidente dos representantes dos postos da cidade,Manuel Fonseca da Costa, o fato do diesel conter biodiesel podefazer com que o governo conceda ajuste menor do que o dagasolina, estimado por ele em torno dos 5 a 7 por cento. "Como ficaria o custo do transporte se o diesel subisse?",disse Costa à Reuters, ressaltando que após a negativa de Lulao governo não deu mais qualquer sinalização de alterar o preçodos combustíveis. Ele informou que se nas refinarias o aumento ficar dentrodo previsto --de 5 a 7 por cento-- nos postos o aumento será decerca de 4 por cento. Segundo o analista do BB Investimentos, o diesel em abrilregistra uma defasagem média de 22,5 por cento e a gasolina de18,50 por cento, levando em conta as cotações da gasolinanorte-americana até 23 de abril. "Nesse dia (23), a defasagem do diesel era de 24 por centoe da gasolina de 22,60 por cento", disse Costa. A defasagem da gasolina e do diesel no Brasil oscila tantopelas mudanças nas cotações de mercado quanto pela variação dodólar. "O dólar ajudou muito desde o final de 2006 até o anopassado, mas este ano o petróleo disparou muito e o dólar jánão pode ajudar tanto, não deve cair muito de onde está",explicou o analista. Desde o início do ano o petróleo tem disparado no mercadointernacional, rondando os 120 dólares o barril. A gasolina e odiesel representam 70 por cento da receita da Petrobras, quedivulga o balanço do primeiro trimestre no dia 12 de maio ondemostrará o reflexo da defasagem nos seus números. "Ainda estamos revisando, mas com certeza vai refletir maisdo que no ano passado, quando a média ficou acima do preço láfora", afirmou uma analista da equipe do Banif. Ela explicou que mesmo levando em conta as explicações daestatal, de que a gasolina norte-americana tem mais qualidadedo que a brasileira, "o que daria um desconto de 10 por centono preço, segundo a companhia", a Petrobras está deixando deganhar dinheiro este ano e em algum momento as ações serão maispunidas. Na visão do Banif, a empresa tem sido salva de maioresperdas no valor de mercado devido aos anúncios e rumores dedescobertas de novas áreas de exploração no país na áreapré-sal. "Se passar um período com um pouco menos de rumor (sobredescobertas) e não tiver reajsute, todo mundo fica muitopreocupado com receita, porque a Petrobras precisa fazer caixapara investir", destacou a analista. A Petrobras tem um ambicioso plano de investimento de 112,4 bilhões de dólares até 2012, que está sendo revisado após adescoberta de reservas gigantes abaixo da camada de sal emáguas ultraprofundas da costa brasileira. Para o analista do BB Investimentos, a estatal só teriacomo escapar de um ajuste se houvesse perspectiva de queda nopreço do petróleo, o que não parece ser a tendência, afirmou. "Quando o presidente falou de defasagem em público, a genteachou que ia ter ajuste, onde há fumaça há fogo", aposta oanalista. (Edição de Marcelo Teixeira)

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