ANÁLISE-Reserva gigante da Petrobras enfrenta desafio de custo

Grandes desafios relacionados acustos e a questões técnicas aguardam a Petrobras no caminhopara o desenvolvimento da jazida gigante de petróeo e gás deTupi anunciada na quinta-feira, disseram geólogos eespecialistas do setor nesta sexta. Eles afirmam que, antes de produzir abaixo de uma camada desal a 6 mil metros de profundidade, a Petrobras ainda teria quecoletar grandes quantidades de dados sobre o fluxo doreservatório e então provavelmente enfrentaria o triplo doscustos para um poço na comparação com perfurações em camposnormais e acima do sal. O campo de Tupi, na bacia de Santos, tem reservasrecuperáveis estimadas em 5 bilhões a 8 bilhões de barris,sendo 85 por cento de petróleo leve. Essa foi a maiordescoberta no Brasil, que pode aumentar em 50 por cento asreservas do país. "A questão do fluxo do reservatório é importante e ainda éuma incerteza. Se o reservatório for apertado, seria necessáriomais poços, poços bem caros", disse Ruaraidh Montgomery, daconsultoria Wood Mackenzie, em Edimburgo. Analistas destacaram que apesar de com os preços atuais dopetróleo nenhum nível de gasto parecer alto demais, umapossível queda dos preços colocaria mais pressão sobre aPetrobras para desenvolver um projeto complicado como Tupi nofuturo. O professor Giuseppe Baccocoli, geólogo e entusiasta daexploração pré-sal (ultraprofunda) da Universidade Federal doRio de Janeiro, afirmou que o custo do projeto poderia sermultiplicado por mais de 10 em comparação com outrosempreendimentos da Petrobras. "Se um poço na bacia de Campos pode custar 10 milhões dedólares, em Tupi seriam 120 milhões", disse ele. O poço teriaque perfurar 2 mil metros de sedimentos e 2 mil metros de sal. "Nessa profundidade, o sal se torna uma massa plástica quese move tentando fechar o poço. Tentamos antes e sempre tivemosesse problema", disse ele. Montgomery calculou o custo de um poço pré-sal em 100milhões a 150 milhões de dólares cada, afirmando que um poçoconvencional em águas profundas custaria 40 milhões a 50milhões de dólares. Tanto Montgomery quanto Baccocoli afirmaram que o problemado sal exigiria tubos de aço de alta resistência para aguentara pressão e a força, o que também eleva os custos. Além disso, o sal tende a distorcer a imagem sísmica. "O projeto de Tupi exige alta tecnologia, é muitocomplicado e caro... levou dois anos apenas para estudar comoperfurar o poço exploratório", disse Baccocoli. A camada pré-sal do Brasil tem características diferentesdas formações pré-sal no Golfo do México, onde as empresasperfuram essas camadas há anos. Lá, a região pré-sal é na maiorparte alóctone, ou transferida de seu local de deposição,enquanto que no Brasil faz parte da formação original, disseBaccocoli. "Esse tipo de matéria mineral é nova. Existem alguns campossimilares na península arábica, mas são campos bem menores.Precisamos de muito conhecimento primeiro sobre essa questão,conhecimento que ninguém no mundo tem", disse o diretor deExploração e Produção da Petrobras, Guilherme Estrella. "Os custos de desenvolvimento são muito altos e faremos detudo para reduzir os custos. Mas não vemos obstáculosinsuperáveis para recuperar esse petróleo", afirmou ele emteleconferência. O custo do projeto está estimado até agora em 4 bilhões dedólares. A Petrobras quer instalar um projeto-piloto em Tupi em 2010ou 2011, que gradualmente chegaria a uma capacidade de produçãode 100 mil barris por dia. Se o piloto tiver sucesso, váriasplataformas serão instaladas no campo. Analistas estimam queseriam necessárias de 4 a 10 plataformas. "É um piloto muito grande, mas é um reservatório enorme.Eles também podem levantar algum dinheiro para gerar renda paraesse projeto", disse Montgomery, afirmando que a Petrobras tembastante experiência para executar um projeto desafiador comoesse. "A empresa é bastante experiente, do ponto de vista deestrutura não é nada novo. Trata-se dos poços e conclusões esobre como fazer o reservatório fluir", disse ele. Ainda, Tupi é um desafio e uma tarefa a longo prazo porquea Petrobras não tem infra-estrutura na área. Ela planejainiciar em breve o desenvolvimento de outros dois campospré-sal, Caxaréu e Pirambu, na bacia de Campos. "Lá também existe o desafio pré-sal, mas a maior diferençaé a infra-estrutura existente. E será útil usar como teste paraTupi", afirmou Montgomery. (Reportagem adicional de Denise Luna) REUTERS CM MTX

ANDREI KHALI, REUTERS

09 de novembro de 2007 | 18h28

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