ANÁLISE-VALE deve insistir na compra da Xstrata, mas com cautela

A Vale deverá continuar asnegociações para compra da anglo-suiça Xstrata, mas ainda écedo para saber até que ponto a empresa brasileira ousaria paraficar com um dos ativos do setor disponíveis no mundo que maisse adequa ao seu perfil no momento. Segundo analistas que acompanham a Vale, uma eventualrecusa dos acionistas da Xstrata a uma oferta de 76 bilhões dedólares pela Vale --que teria sido feita informalmente, segundoo Financial Times nesta terça-feira-- não deve atrapalhar asnegociações. A Vale não quis comentar o assunto. "Se não houve consenso sobre o valor, devem estar ementendimento. Enquanto não houver um valor divulgadooficialmente pela empresa a gente fica muito no campo daespeculação", avaliou Pedro Galdi, analista do ABN Amro. Ele observou que a Vale tem como principal preocupação umapossível perda do grau de investimento, conquistado pelaprimeira vez em 2005, o que aumentaria o custo dos empréstimosno médio prazo para comprar a Xstrata. "O empréstimo-ponte ela (Vale) consegue agora, mas paraalongar mais à frente, com taxas atrativas, ela não consegue",explicou. "Mas como o pessoal da Vale é muito pé no chão, vãotentar o modelo mais interessante possível sem perder acondição de 'investment grade"', completou. No final de janeiro, a Vale confirmou que tinha interesseem adquirir a Xstrata. Segundo analistas na época, o valor donegócio poderia atingir 100 bilhões de dólares, sendo parte emações da Vale. A Vale já teria conseguido um empréstimo-ponte de 50bilhões de dólares com um 'pool' de bancos, segundo disse àReuters uma fonte próxima ao assunto há duas semanas. A mesmafonte disse que havia muita disposição da empresa em adquirir aXstrata, que "seria perfeita para a companhia devido à suagrande diversificação". DIVERSIFICAÇÃO Maior produtora de minério de ferro do mundo, a Vale tentahá alguns anos diversificar seus ativos. A primeira tentativaexpressiva foi a oferta pela canadense de níquel Noranda, em2004, que não foi adiante. Em 2006, a Vale comprou a produtoracanadense de níquel Inco, o que fez o valor da brasileira nasbolsas saltar 15 bilhões de dólares. No final de 2007, o valorde mercado da Vale era de 80 bilhões de dólares. Com a compra da Xstrata, rica em cobre, níquel e carvão,entre outros, a Vale se tornaria a maior produtora de níquel domundo. De acordo com a analista Juliana Chu, do BES Securities, écedo para saber se houve ou não oferta da Vale e se vai existiruma segunda oferta. Ela disse no entanto que em meio ao cenáriode consolidação do setor, não existem muitos ativos com operfil da Xstrata. "Há uma escassez de companhias desse porte da Xstrata nosetor agora. A Vale disse que quer procurar aquisições paracrescer. Então vai ter que procurar companhias de menor porte,se abandonar a Xstrata", avaliou. Em Londres, o analista de mineração da MF Global SecuritiesTobias Woerner, afirmou que a Vale poderia fazer um lancemaior, de cerca de 45 libras por ação, se quiser conquistar osacionistas da Xstrata, contra as 40 libras por ação quecorrespondem ao valor de 76 bilhões de dólares. "Eu gostaria de ter algo perto de 50 (libras), ou até acimadisso", afirmou. Outro analista, que preferiu não ser identificado, disseque a Vale poderia ter sucesso se esperasse até o final dasnegociações do preço do minério de ferro para este ano, uma vezque espera forte aumento e isso poderia ajudar nos esforços definanciamento. Segundo expectativa do setor, o aumento do minério de ferroeste ano deve girar entre 30 e 50 por cento, devido àcontinuidade da demanda chinesa. (Com reportagem adicional de Reese Ewing em São Paulo eEric Onstad e Mark Potter em Londres)

DENISE LUNA, REUTERS

12 de fevereiro de 2008 | 17h20

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