Analistas não apostam em exportações muito acima da meta de US$ 257 bi

Para especialistas, nos últimos três meses do ano, Brasil deve exportar mais US$ 63 bilhões. Com isso, meta do governo deve ser superada em apenas US$ 6 bilhões

Francisco Carlos de Assis, da Agência Estado,

18 de outubro de 2011 | 19h43

Considerando a média mensal de US$ 21 bilhões das exportações brasileiras, de janeiro a setembro deste ano, dificilmente a meta prevista pelo governo para este ano, de US$ 257 bilhões, será superada significativamente. É o que avaliam especialistas consultados pela Agência Estado, com base na declaração feita hoje pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, na África, onde acompanha a presidente Dilma Rousseff. Pimentel disse, em tom otimista, que na segunda-feira, 24, o MDIC vai anunciar uma nova meta de exportações para o ano.

De acordo com os especialistas, não dá para apostar num crescimento significativo dessa meta de exportação em razão das projeções já realizadas. Seguindo eles, a conta é simples: de janeiro a setembro, a média mensal das exportações ficou em US$ 21 bilhões. Faltando apenas três meses para acabar o ano, se a média for mantida, o Brasil exportará mais US$ 63 bilhões, que somados aos US$ 199,8 bilhões em exportações registrados até ontem, dará mais ou menos US$ 263 bilhões. Se a meta do governo é US$ 257 bilhões, ela será superada em apenas US$ 6 bilhões.

Para o sócio-diretor da Global Financial Advisor, Miguel Daoud, as declarações do ministro Pimentel demonstram um alinhamento com os discursos e políticas da equipe econômica. "Tudo o que o governo fala não é de graça. Você pode não concordar, como eu não concordo, mas ele sabe o porque de estar falando", diz Daoud, para quem o valor financeiro das exportações está crescendo por conta dos aumentos dos preços de commodities como café, soja e açúcar, entre outros. A previsão dele é de que as exportações fechem o ano em US$ 257 bilhões.

Mesmo tendo afirmado que ainda não deu para medir o impacto da valorização do dólar sobre as exportações, o ministro Pimentel disse acreditar que isso deva ter contribuído para o resultado que o levará a anunciar uma nova meta de exportações na semana que vem. De acordo com o vice-presidente-executivo da Associação Brasileira dos Exportadores (AEB), Fábio Faria, não há mesmo como dimensionar o impacto da recente alta do dólar sobre as exportações. Isso porque o cumprimento de um contrato, geralmente, leva de 60 a 90 dias.

"Não tem esse tempo todo (desde o início da alta do dólar) e, mesmo porque, o dólar já está caindo", diz o vice-presidente da AEB. E mesmo que o dólar afete, o impacto se dá sobre o financeiro. Sobre o comercial, que é a mercadoria sendo embarcada, o impacto é muito pequeno já que a crise financeira tem reduzido a demanda por produtos brasileiros no exterior.

Para se ter ideia da importância dos preços das commodities nos resultados financeiros da balança comercial, diz o vice-presidente da AEB, de janeiro a setembro deste ano, os preços das matérias primas aumentaram 30% sobre igual período em 2010, trazendo um acréscimo de US$ 45 bilhões para o volume financeiro das exportações. Deste total, US$ 11 bilhões foram trazidos só pelos embarques de minério de ferro. "Só um produto respondeu por quase um terço do acréscimo de preço das commodities. Se acrescentarmos petróleo e soja, estamos falando dos responsáveis globais pelas nossas exportações", observa Faria.

"Acredito sim que a meta será ultrapassada como afirma o ministro (Pimentel), mas o que ultrapassará a meta será muito pouco, porque ela está muito justa. Faz parte do governo ser otimista e nisso eu não vejo problema", comenta o vice-presidente da AEB.

O presidente da Associação Brasileira de Comércio Exterior (Abracex), Primo Roberto Segatto, considera boa a média mensal das exportações. Mas também previne que este resultado decorre das vendas de commodities e que na ponta das exportações de manufaturados a situação não anda bem. "Eu acredito que a meta do governo (US$ 257 bilhões) será ultrapassada, mas pouca coisa", diz Segatto. "O que estamos vendo é uma melhora nos preços das commodities. No mercado de açúcar, por exemplo, estamos praticamente sozinhos no mundo."

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