Analistas recomendam seletividade com ações do varejo

Apesar da greve dos caminhoneiros ter ampliado incertezas sobre o setor de varejo, ainda há boas apostas no segmento, segundo analistas

Karin Sato, O Estado de S.Paulo

30 Junho 2018 | 04h00

Os protestos dos caminhoneiros afetaram as projeções dos analistas para o crescimento da economia neste ano e, consequentemente, ampliaram as incertezas sobre o desempenho das ações do setor de varejo. Mas nem tudo está perdido e ainda há boas apostas no segmento, dizem analistas. O segredo agora é a seletividade.

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“Em função da fraca reação da economia, do nível ainda elevado de desemprego e das incertezas quanto ao cenário macroeconômico após as eleições, estamos negativos em relação ao setor de varejo. Entretanto, em alguns casos, em função de valuation atraente, consideramos sugerir a exposição ao setor”, explica o analista da Magliano Invest, Sergio Goldman. Um dos exemplos de papel com preço atraente é Pão de Açúcar, diz. 

“No início do ano, o cenário para o varejo era totalmente diferente do que estamos vivendo agora. Tínhamos uma certa recuperação econômica, com queda da taxa de juros, inflação sob controle e melhora do emprego e renda”, lembra Sandra Peres, analista da Coinvalores. 

Agora, o cenário mudou completamente, diz ela. “As projeções macroeconômicas estão mostrando redução do crescimento, as incertezas quanto à política vêm se intensificando. Além disso, tivemos a greve dos caminhoneiros que acabou afetando a economia brasileira com um todo. Desta forma, recomendamos certa seletividade para o investidor que queira investir em empresas do varejo.”

O analista Vitor Suzaki, da Lerosa, recomenda a busca de empresas com histórico de resiliência frente a períodos de crise. “Com esse perfil, posso citar Raia Drogasil e Lojas Renner”, diz. Essas companhias são reconhecidas pela gestão de recursos disciplinada e pela forte execução operacional.

O time da Planner escreveu que, apesar do cenário carregado de incertezas, por conta do ambiente político, e da economia ainda patinando, espera a retomada do consumo. Esta, contudo, deve vir acompanhada de aumento da competição no setor. De qualquer forma, a opinião é de que a recente queda dos papéis na bolsa gerou boas oportunidades de investimento no setor de varejo.

O estrategista de Pessoa Física da Santander Corretora, Ricardo Peretti, diz que a sua equipe de análise continua a enxergar o setor varejista como boa opção de investimento a médio e longo prazo. 

“Embora a greve dos caminhoneiros tenha deteriorado as expectativas de crescimento do PIB para 2018 (projetamos alta de 2% ante 3,2% no início do ano), ainda enxergamos um crescimento de 3% para o consumo das famílias neste ano, o que torna o ambiente ainda fértil para as empresas varejistas bem posicionadas”, explica.

A recomendação do time do Santander também é de seletividade, com preferência para companhias que realmente entreguem taxas de crescimento satisfatórias, diz o estrategista. “Como exemplo, citamos a CVC, que julgamos ter capacidade suficiente para contornar os efeitos da paralisação dos caminhoneiros”, afirma Peretti. 

Praticamente todos os analistas promoveram alterações em suas carteiras, nesta semana. A equipe da BB Investimentos indicou Petrobrás, Magazine Luiza, Weg e BR Properties. A do Bradesco incluiu Suzano e Copasa. A Coinvalores recomendou Rumo e a Lerosa indicou Multiplan. A Magliano incluiu Cemig, Cielo, Itaúsa e Sabesp. Planner indicou Energias do Brasil e São Martinho.

 

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