Anda eleva previsão de vendas de adubos no Brasil em 2008

Embaladas principalmente pelaexpectativa de boa rentabilidade com a produção de soja emilho, as vendas de fertilizantes no Brasil poderão superar 26milhões de tonelada neste ano, contra entregas de 24,6 milhõesde toneladas em 2007, previu nesta segunda-feira a AssociaçãoNacional para Difusão de Adubos (Anda). De acordo com Mário Barbosa, presidente da entidade querepresenta o setor no país e também presidente da BungeFertilizantes, as vendas podem crescer até 6 por cento. Nos primeiros meses do ano, a Anda estimava um crescimentonas entregas de até 4,5 por cento na comparação com 2007,quando o segmento registrou um volume recorde de vendas. "Temos estimado aumento de demanda na faixa de 5 a 6 porcento até o momento. Mas os meses decisivos são julho e agosto,quando temos uma visão melhor da realidade", disse ele,admitindo, entretanto, que as projeções são conservadoras. As previsões foram elevadas depois de as indústrasregistrarem o melhor primeiro semestre da história, comentregas de 11,32 milhões de toneladas, contra 9,39 milhões nomesmo período de 2007, uma alta de mais de 20 por cento. "Parte disso é antecipação (de compras para a safra deverão)", explicou Barbosa. O setor costuma verificar maiores vendas no segundosemestre, mas a exemplo do que ocorreu em 2007 muitosprodutores anteciparam seus negócios, visando amenizar oimpacto dos preços mais altos dos adubos. Como o Brasil importa a maior parte de seu consumo, acabasendo afetado pelos preços externos, que por sua vez sãoimpulsionados pela procura em ambiente de commodities em alta. "Mas acho que este ano provavelmente foi um pouco maior (aantecipação) do que no ano passado. Em janeiro e fevereiro,teve um momento em que a relação de troca, entre soja efertilizante, estava muito boa. O produtor vendeu uma parte dasoja e comprou fertilizante para o próximo plantio", disse. Ele afirmou ainda que os agricultores estão tambémampliando investimentos para tentar obter uma maiorprodutividade. "Todo mundo está atrás disso." Para atender à demanda, as importações cresceram 12,9 porcento no primeiro semestre, para 8,61 milhões de toneladas. Aprodução nacional também aumentou no período, mas em menormedida (6,5 por cento), atingindo 4,777 milhões de toneladas. "A indústria está trabalhando no seu limite. Crescimentogrande da produção nacional só vamos ter em 2010, quandocomeçam a entrar em operação alguns projetos", disse ele,referindo-se a unidades da própria Bunge. [ID:nN26347682] DEMANDA PARA CANA E CAFÉ Se os preços de alguns produtos estão elevando as vendas defertilizantes, no caso de outros, como café e cana-de-açúcar, ahistória não é bem assim. "No caso de cana-de-açúcar e café, ébastante provável que haja diminuição no uso de fertilizante.Quando falamos que está bem, nos referimos a soja e milho,algodão também está razoável", disse Barbosa. Segundo ele, ainda não é possível prever quanto crescerá apróxima safra (2008/09), mas certamente haverá um aumento deárea plantada. "A tendência do Brasil é de crescimento. Essamudança de preço no mundo é em função de pessoas se alimentaremmelhor... Isso é uma coisa que deve continuar e só existe umasolução... aumentar a produtividade", declarou. Os melhores preços dos grãos devem propiciar um aumento deprodução até mesmo em regiões mais pobres do mundo, como naÁfrica subsaariana, declarou um especialista estrangeiroconvidado pela Anda para uma palestra nesta segunda-feira. Segundo Pedro Sanchéz, diretor do projeto Vilas Millenium,da Universidade de Columbia (EUA), essa região africana poderiatriplicar a produtividade agrícola em um período de cinco anos,com os altos preços dos alimentos incentivando programas deajuda financeira aos produtores locais. Essa região do continente africano, excluindo-se a Áfricado Sul, planta cereais em uma área de 77 milhões de hectares,mas a produtividade agrícola obtida é de cerca de 1 toneladapor hectare, contra uma média no Brasil para o milho, porexemplo, de 4 toneladas. Para obter tal resultado, Sanchéz aposta em um programa quejá está dando resultados em Malaui, na África Oriental, que jáfoi o país mais pobre do mundo. Com subsídios governamentais eo apoio do projeto das Vilas Millenium, o país africano passoude importador a exportador líquido de grãos, vendendo aoexterior cerca de 100 mil toneladas de alimentos. Ele disse que há negociações para que essa experiência sejalevadaa para outros países da região, como Tanzânia, Quênia,Mali, Nigéria e Etiópia. (Edição de Marcelo Teixeira)

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