Anhanguera é multada pelo Cade em R$ 4 milhões

Órgão antitruste acusa empresa de ter omitido informações sobre participação acionária da família Rodrigues  

Eduardo Rodrigues, de O Estado de S. Paulo,

19 de junho de 2013 | 21h58

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abriu nesta quarta-feira dois autos de infração contra o Grupo Anhanguera Educacional pela omissão de informações relevantes ou mesmo entrega de falsos dados para a análise do órgão, que aprovou as compras da Novatec e do Instituto Grande ABC pela companhia no início do ano. Somados, os dois autos impõem multa de R$ 4 milhões.

Segundo o conselheiro relator do caso, Alessandro Octaviani, as empresas prestaram informações falsas sobre a participação da família Rodrigues no capital do grupo. De acordo com ele, os documentos apresentados pela Anhanguera não condiziam com a situação do professor Gabriel Mário Rodrigues, fundador da Anhembi Morumbi, e sua filha Ângela Rodrigues, no comando dos negócios da empresa.

Em janeiro deste ano, o empresário vendeu os 49% que detinha da instituição que fundou à norte-americana Laureate Education.

De acordo com Octaviani, além das informações incorretas sobre a real participação societária de Rodrigues no grupo, a defesa também alegou que o executivo não lidava mais diretamente com os negócios da companhia, o que teria sido desmentido inclusive por notícias de jornais que retrataram o empresário como o principal articulador das recentes aquisições realizadas pela Anhanguera no mercado educacional.

Em abril, o Grupo anunciou sua fusão com a Kroton – que ainda será analisada pelo Cade – em uma operação avaliada em R$ 5 bilhões que criará o maior grupo do setor no País, reunindo cerca de 1,2 milhão de alunos.

Recurso. Apesar de o grupo ainda não ter sido notificado pelo Cade, o vice-presidente jurídico do da Anhanguera, Khalil Kaddiff, adiantou ontem que a instituição recorrerá e levará a questão até mesmo à Justiça, se necessário, para anular os autos de infração. "Vamos discutir até o final, iremos a todas as instâncias. Estamos muito tranquilos porque temos toda a documentação que prova que não houve má-fé e nem enganosidade na prestação das informações", afirmou.

Kaddiff reconheceu um erro na declaração preenchida de próprio punho pelo professor Rodrigues, mas alegou que todos os demais documentos enviados pela Anhaguera ao Cade continham os dados corretos sobre a participação acionária do empresário. "Não houve má-fé", completou.  

Tudo o que sabemos sobre:
AnhangueraCade

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.