ANP contratou certificadora sem licitação, diz revista

 Segundo a 'Época', empresa Gaffney, Cline & Associates foi contratada na pressa para concluir o processo de capitalização da Petrobrás

Lu Aiko Otta, da, Agência Estado

22 de agosto de 2010 | 14h58

Na pressa, motivada por razões políticas, para concluir o processo de capitalização da Petrobrás, a Agência Nacional de Petróleo (ANP) contratou sem licitação a empresa Gaffney, Cline & Associates (GCA), responsável por calcular o preço do barril que servirá de base para a operação. A informação está em reportagem da revista Época, que diz ter tido acesso a um relatório interno da ANP que aponta "incontestáveis razões políticas no âmbito do governo" para justificar a medida.

A ANP fez uma concorrência internacional para contratar uma certificadora para calcular o preço do barril no pré-sal. A GCA foi a única a apresentar proposta. A licitação, porém, foi considerada "fracassada" depois que outra empresa questionou o processo. O fato de a GCA ser a única concorrente também é apontado no relatório como razão para a contratação sem licitação. A contratação da certificadora é objeto também de reportagem da Folha de S. Paulo publicada no sábado. O jornal informa que a GCA tem relações comerciais com a Petrobrás e afirma que isso configura potencial conflito de interesses, já que a ANP e a Petrobrás estão em lados opostos da negociação em torno do preço do barril.

Para a estatal, interessa que o barril fique na cotação mais baixa possível, enquanto para a ANP, que representa o governo, o melhor é um preço alto. De fato, segundo informações extraoficiais, a Petrobrás teria chegado a uma cotação entre US$ 5 e US$ 6, enquanto a GCA teria calculado algo entre US$ 10 a US$ 12 - acima do teto esperado pelo governo, que era US$ 10.

De acordo com a reportagem da Folha, a GCA já prestou serviços para a Petrobrás no passado, conforme informou o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, em reunião realizada no Senado em outubro de 2009. Na mesma reunião, ele disse que a certificadora é controlada pela Baker Hughes desde 2008. A Baker Hughes, por sua vez, ainda tem contratos com a Petrobrás. Consultada, a ANP informou não haver conflito de interesses, pois os serviços prestados pela Baker Hughes à Petrobrás são em áreas totalmente distintas. A própria reportagem diz que ela trabalha com implantação de sistema para perfuração de poços. A reportagem do Grupo Estado tentou ouvir a ANP, mas não teve resposta.

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