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ANP e Petrobrás negam ter preço do barril para capitalização

Agência diz que deve receber nesta 5ª o relatório preliminar sobre a certificação dos reservatórios

Reuters,

19 de agosto de 2010 | 17h28

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) afirmou que só recebe nesta quinta-feira, 19, conforme o previsto, o relatório preliminar da empresa Gaffney Cline sobre a certificação dos reservatórios de Franco, que serão utilizados no processo de capitalização da Petrobrás.

O relatório final será entregue à agência no final do mês, informou a ANP em comunicado no qual ela nega ter tido acesso prévio ao valor do barril estimado pela certificadora. Só depois de receber os dados completos da Gaffney Cline, a agência repassará as informações ao governo federal para que seja iniciada a negociação entre a Petrobrás e a União sobre o preço final da operação.

Se o preço do barril ficar em torno dos 6 dólares, como quer a Petrobrás, a capitalização total pode somar cerca de 90 bilhões de dólares, sendo 32% do governo e pago em petróleo - numa operação intermediada por títulos públicos. Mas se o valor do barril subir para US$ 10, como quer o governo, poderia ultrapassar os US$ 150 bilhões, o que seria mal aceito pelos acionistas minoritários.

A Petrobrás considerou natural a pressão do governo por um preço maior para o barril em comunicado enviado nesta quinta-feira ao mercado, dizendo se tratar de "uma transação comercial entre duas partes".

"Até o momento, qualquer discussão sobre o valor dos barris da Cessão Onerosa é mera especulação, isso porque os laudos das certificadoras ainda não estão prontos", explicou a estatal após notícias na mídia de que o valor poderia atingir de US$ 10 a US$ 12, ressaltando que será buscado "um preço justo".

Em entrevista à Reuters o diretor geral da ANP, Haroldo Lima, já havia descartado a hipótese de um preço elevado.

"É natural que ambas as partes busquem, através de negociações, maximizar seus resultados", afirmou a Petrobrás na nota.

A capitalização da Petrobrás foi anunciada no ano passado, e desde então as ações da companhia têm apresentado um fraco desempenho, com o mercado puxando o preço para baixo a fim de pagar um valor menor na operação.

Somado a esse fator, comum em ofertas desse tipo, a percepção do risco político da estatal aumenta a cada declaração de autoridades em Brasília.

Esta semana, o ministro de Minas e Energia, Marcio Zimmermann, declarou que em áreas com características semelhantes à do pré-sal já concedidas, o valor do barril estaria perto dos US$ 10, o que levou a especulações pela imprensa de que esse seria o preço da cessão onerosa, na área conhecida como Franco e que será dada em troca de ações da empresa pelo governo até o limite de 5 bilhões de barris na capitalização.

(Por Denise Luna)

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