Anúncio da ANP sobre Libra teve pouco impacto na Bolsa

Comunicado de que o poço tem capacidade de até 15 bilhões de barris teve pouco impacto sobre as ações da Petrobrás 

André Magnabosco, de O Estado de S. Paulo,

29 de outubro de 2010 | 22h30

O anúncio de que o poço de Libra tem capacidade de até 15 bilhões de barris, feito sexta-feira pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), teve pouco impacto sobre as ações da Petrobrás. No modelo de partilha – ainda não aprovado pelo Congresso – a estatal terá participação obrigatória de 30%, no mínimo, na exploração da área. O mercado já havia reagido antes do anúncio oficial, elevando a cotação das ações e ontem o preço dos papéis já levava em conta o novo cenário.

A cotação chegou até a cair, com a notícia em parte requentada, fechando o pregão em baixa de 1,22% (ações preferenciais) e 0,87% (ordinárias). "Já havia no mercado um rumor sobre o possível anúncio de uma grande reserva", comentou o analista chefe da Banif Corretora, Oswaldo Telles, referindo-se à boataria que fez subir as ações da companhia nos dias anteriores.

Entre os rumores que circularam durante a semana estava a possibilidade de uma descoberta de grandes dimensões em área já explorada pela Petrobrás. O anúncio de sexta, entretanto, limitou-se a Libra, área ainda pertencente à União. O analista da Geração Futuro, Lucas Brendler, lembra que o relatório da certificadora Gaffney, Cline & Associates (GCA) apontava estimativas semelhantes aos números divulgados.

O material elaborado a pedido da ANP para o processo de capitalização da Petrobrás indicava que as reservas de petróleo em Libra oscilariam entre 3,65 bilhões e 15,07 bilhões de barris. A perspectiva considerada mais provável apontava 7,91 bilhões.

O número atual apenas representa um arredondamento da estimativa anterior. "O fato é que antes não havia poço para confirmar se havia ou não petróleo", destacou Brendler, apontando essa como a principal novidade. "O anúncio não trouxe nada de novo para a Petrobrás. Por isso, o efeito deveria ser neutro para a ação", completa o analista.

O analista Osmar Camilo, da Socopa Corretora, destaca que a exploração de Libra ainda está associada a diversos pontos, incluindo alguns ainda indefinidos, como a aprovação do sistema de partilha pelo Congresso. Com a definição da parte que caberá à Petrobrás como operadora dos blocos será possível ter uma visão mais clara de qual será a representatividade das novas descobertas para a Petrobrás.

Também será possível delimitar o custo de exploração dessas novas áreas para a estatal, uma vez que o modelo de leilão do pré-sal prevê que o consórcio vencedor seja aquele que garantir o maior volume de petróleo à União, representada pela Pré-sal Petróleo S.A. (PPSA), o chamado profit oil. "Se alguém vier com profit oil muito alto, a Petrobrás será obrigada a acompanhar", diz o analista do Banco do Brasil Banco de Investimentos, Nelson Rodrigues de Matos.

"Depois do leilão vamos saber o impacto para a empresa. Quais as condições econômicas do projeto? A partilha, em si, não é ruim, desde que tenha retorno econômico", completa.

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