Apagão não foi causado por falta de investimentos, diz Eletropaulo

Segundo diretor de operações da companhia investimentos de 1999 a 2010 foram de R$ 4,85 bilhões; valor é pouco superior ao lucro acumulado no período, que somou R$ 4,8 bilhões

Karla Mendes, da Agência Estado,

17 de junho de 2011 | 18h21

A Eletropaulo argumenta que o corte no fornecimento de energia elétrica que atingiu São Paulo no dia 7 de junho não significa falta de investimentos da empresa. Em entrevista à Agência Estado, o diretor de operações da companhia, Sidney Simonaggio, destacou que os investimentos da companhia de 1999 a 2010 foram de R$ 4,85 bilhões, valor pouco superior ao lucro acumulado no período, que somou R$ 4,8 bilhões.

"Onde está o lucro? Aplicado no negócio", ressaltou Simonaggio. O executivo evitou confrontar as críticas feitas pelo secretário de Energia do Estado de São Paulo, José Aníbal, que acusou a distribuidora de estar priorizando lucro em detrimento da qualidade dos serviços prestados. "Os números mostram a realidade", destacou o diretor da Eletropaulo. O executivo ressaltou que a rede de fornecimento de energia sofreu estragos devido às condições meteorológicas atípicas (ciclone extratropical, seguido de fortes chuvas), e reforçou que o problema não foi gerado por falta de investimentos.

Simonaggio afirma que somente em 2011 estão previstos mais R$ 720 milhões em investimentos e, para os próximos cinco anos, mais de R$ 3 bilhões. Esses valores, segundo o executivo, referem-se a aportes destinados exclusivamente à rede da companhia, como construção de novas linhas, subestações e redes de distribuição para melhoria da qualidade do serviço.

Na última quarta-feira, o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Nelson Hübner, admitiu, entretanto, que houve piora no índice que mede a duração de falta de energia dos serviços prestados pela Eletropaulo em São Paulo. O índice da Aneel que mede o tempo de duração da falta de luz é denominado "Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora" (DEC). No cálculo do DEC, a Aneel apurou que, em 2010, os paulistas atendidos pela Eletropaulo ficaram 10 horas e 36 minutos sem energia elétrica. Em 2006, a interrupção foi bem menor: 7 horas e 52 minutos. O pior indicador foi registrado em 1999, quando os paulistanos ficaram mais de 22 horas sem energia elétrica.

Simonaggio defendeu que o indicador capaz de medir a "robustez" da infraestrutura da distribuidora não é o DEC, mas o indicador de "Frequência Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora" (FEC), que apura o número de vezes em que houve interrupção dos serviços. De acordo com Simonaggio, esse índice manteve-se estável nos últimos anos, entre 5,5 e 5,6. "A robustez da rede é questão de ter capacidade, ter redundância. E isso é obtido pelos investimentos que faço", destacou.

O que o DEC avalia, segundo Simonaggio, é a capacidade de resposta para os restabelecimentos da rede da distribuidora. Ele admitiu, porém, que "aumentou o grau de dificuldade" para a retomada do sistema em algumas situações específicas. Ele atribui a piora desse índice a fatores da própria cidade de São Paulo, como o trânsito frequentemente congestionado (o que dificulta a locomoção dos técnicos, nos momentos de emergência) e os eventos atmosféricos adversos.

Retomada do fornecimento

Segundo Simonaggio, mesmo na situação crítica que atingiu a capital paulista no último dia 7 de junho - ciclone extratropical, seguido de fortes chuvas - os casos de demora no restabelecimento dos serviços de energia elétrica foram pontuais. Ele disse que em quatro horas, 50% das unidades consumidoras afetadas já haviam sido atendidas. Em 12 horas, o índice chegou a 82%. Depois de 24 horas da ocorrência, 95% dos clientes afetados foram atendidos. Em 36 horas, 99% estavam com o sistema restabelecido, relatou o executivo.

O 1% restante, que ficou cerca de 48 horas sem energia elétrica, corresponde a cerca de 6 mil consumidores. Essa parcela representa "um milésimo" do total de clientes da concessionária, segundo Simonaggio. "A gente não gostaria que esses clientes ficassem todo esse tempo sem energia elétrica, mas a empresa sempre aprende com esses episódios", observou. A equipe de engenharia da Eletropaulo já recebeu a tarefa de elaborar um plano de melhoria do atendimento ao consumidor, preparando-se para enfrentar situações futuras da mesma natureza.

Questionado sobre o pedido de intervenção do Procon de São Paulo na companhia, Simonaggio destacou que "o que conta são os números" e argumentou que "a empresa tem saúde financeira". "Não temos problema grave", ressaltou. O executivo ponderou que a única intervenção já realizada pela Aneel, no caso das Centrais Elétricas do Maranhão (Cemar), ocorreu em função de graves problemas financeiros da distribuidora. "Não é o nosso caso; em absoluto", concluiu.

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