Aperto fiscal na Europa deve cortar o crescimento e elevar o desemprego, diz FMI

 Para fundo, é preciso ter expectativas realistas sobre crescimento diante da consolidação fiscal na região

Danielle Chaves, da Agência Estado,

30 de setembro de 2010 | 15h32

O aperto fiscal provavelmente vai cortar o crescimento e elevar o desemprego, alertou o Fundo Monetário Internacional (FMI) nesta quinta-feira, 30, um dia depois de grandes protestos contra medidas de austeridade serem realizados em vários países da Europa.

Em resposta a analistas que projetam rápido crescimento em razão da consolidação fiscal, o FMI afirmou que é importante ter expectativas realistas, embora a instituição apoie o aperto como um fator economicamente essencial para a redução dos níveis de dívida soberana e dos grandes orçamentos.

"Não devemos brincar com nós mesmos. No curto prazo, aumentos de impostos e cortes de gastos provavelmente vão reduzir o crescimento e aumentar a taxa de desemprego", disse Daniel Leigh, um dos autores do capítulo do relatório World Economic Outlook, do FMI, sobre o assunto.

Em toda a Europa, como na Irlanda e em Portugal, têm sido levantadas dúvidas sobre as medidas de austeridade, à medida que os países apresentam crescimento fraco e desemprego alto. Além disso, com as principais taxas de juros próximas de zero, como em muitos países desenvolvidos, os custos para a economia deverão ser maiores do que em crises passadas. Para piorar o cenário, as medidas de austeridade estão sendo implementadas na Europa Ocidental e nos EUA ao mesmo tempo.

"Nossas simulações, com taxas de juros próximas de zero e todos os países fazendo isso juntos, mostram que isso pode mais do que dobrar os custos que vimos no curto prazo no passado", afirmou Leigh. Historicamente, os bancos centrais têm sido capazes de amortecer o impacto da consolidação sobre a economia por meio do corte dos juros, mas há pouco espaço para isso quando as taxas estão próximas de zero. As informações são da Dow Jones.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.