Apesar da alta do juro, inadimplência fica estável em março em 4,8%

Os calotes de pessoas físicas e jurídicas também não apresentaram variação no mês passado, ficando em 6,5% e 3,3%, respectivamente

Eduardo Rodrigues e Victor Martins, da Agência Estado, Texto atualizado às 12h35

29 de abril de 2014 | 11h35

BRASÍLIA - Apesar da alta da taxa de juros básica nos útlimos meses, a taxa de inadimplência no crédito livre ficou estável em 4,8% em março deste ano, pelo terceiro mês consecutivo. Os dados são do Banco Central.

Os calotes de pessoas físicas e jurídicas também não apresentaram variação no mês passado, ficando em 6,5% e 3,3%, respectivamente. O dado que considera o crédito livre mais o direcionado mostra inadimplência também estável em 3% em março.

 

No crédito livre para pessoa física, a inadimplência no crédito pessoal subiu de 3,8% em fevereiro para 3,9% no mês passado. No cheque especial, caiu de 9,2% para 8,8% na comparação mensal. Na aquisição de veículos, diminuiu de 5,1% em fevereiro para 5,0% em março. Já no cartão de crédito, subiu de 22,7% para 22,9% na mesma base de comparação.

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, citou que a inadimplência nas modalidade de cartão de crédito parcelado e crédito pessoal total chegaram a seus pisos históricos em março, ficando em 0,4% e 3,9%, respectivamente.

Segundo ele, embora algumas modalidades tenham apresentado ligeira alta no mês, ainda é cedo para afirmar se há uma tendência de elevação. "Os atrasos de 15 a 90 dias também tiveram alta no mês", destacou. No caso de pessoas físicas, os atrasos com essa duração no crédito livre subiram de 6,2% para 6,8%, enquanto para pessoas jurídicas aumentaram de 2,4% para 2,8%.

"É preciso aguardar mais observações nos meses seguintes para podemos inferir se isso representa uma interrupção no declínio da inadimplência. O começo do ano traz muitos gastos escolares e com tributos e isso pode ajudar a explicar esses atrasos", concluiu.

Juro. A taxa média de juros no crédito livre subiu de 31,5% ao ano em fevereiro para 31,6% ao ano em março. Em 12 meses, a taxa subiu 5,6 pontos percentuais, já que em março de 2013 estava em 26,0% a.a. Para pessoa física, a taxa de juros no crédito livre passou de 41,4% em fevereiro para 41,6% em março. Essa é a maior taxa desde fevereiro

de 2012, quando estava em 41,73%. 

Para pessoa jurídica, os juros médios ficaram estáveis em 23,1% no mês passado. No cheque especial, a taxa subiu de 156,6% em fevereiro para 159,3% no mês passado. Em 12 meses, as taxas cobradas pela linha mais cara que o consumidor pode acessar subiram 21,4 pontos porcentuais.

 

Para o crédito pessoal, a taxa total caiu de 44,1% em fevereiro para 43,9% em março. No caso de consignado, a taxa passou de 25,1 % para 25,3% de fevereiro para março. No caso de aquisição de veículos para pessoas físicas, os juros caíram de 23,9% para 23,5% de um mês para outro. A taxa média de juros no crédito total, que também inclui as operações direcionadas, subiu de 21,0% em fevereiro para 21,1% em março.

Maciel destacou que as taxas de juros no crédito livre cresceram em março em praticamente todas as modalidades na comparação com o mesmo mês de 2013, seguindo a trajetória de avanço da Selic desde o ano passado.

"Isso é natural e é o que se espera. A elevação do custo do crédito é um canal importante de política monetária", avaliou. O economista ponderou, no entanto, que essas taxas ainda estão "muito aquém" de seus maiores patamares históricos. Maciel explicou ainda que existe uma defasagem entre os movimentos da Selic e os preços da economia, inclusive do crédito.

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